
Bolsonaro foi preso preventivamente após violar tornozeleira eletrônica
Wilton Júnior/Estadão
O ex-presidente Jair Bolsonaro passa o terceiro dia de prisão na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília com uma rotina que inclui refeições trazidas pelo cunhado e sob inspeção, além de momentos assistindo a noticiários e esportes na televisão.
O almoço de Bolsonaro, uma refeição com baixo teor de gordura por recomendação médica, foi levado pelo cunhado e passou por inspeção da Polícia Federal antes de ser servido. Segundo a corporação, o ex-presidente está se alimentando normalmente.
Agentes da PF informam que, após uma apatia inicial ao ser preso no sábado (22), o ex-presidente está conversando A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também visitou o marido na Polícia Federal.
Prisão mantida por unanimidade no STF
Nesta segunda-feira (24), a defesa de Jair Bolsonaro sofreu uma nova derrota no Supremo Tribunal Federal (STF), com a decisão da Primeira Turma de manter a prisão preventiva do ex-presidente. A decisão foi tomada por unanimidade, com 4 votos a 0, transformando a determinação inicial do ministro Alexandre de Moraes em um parecer colegiado.
A prisão preventiva foi decretada no sábado (22) por ordem de Alexandre de Moraes, que considerou haver risco de fuga e ameaça à ordem pública.
Argumentos dos ministros e da defesa
Em seu voto, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que Bolsonaro "violou dolosa e conscientemente o equipamento de monitoramento eletrônico". O vídeo da tornozeleira eletrônica destruída foi divulgado no fim de semana.
Além da violação da tornozeleira, uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi vista como um meio para facilitar a fuga do ex-presidente. O ministro Flávio Dino citou o que chamou de "fuga de deputados para outros países, por crimes similares e conexos, que demonstram como atua a organização criminosa chefiada pelo condenado".
Flávio Bolsonaro reagiu à divulgação do vídeo, classificando-a como humilhação. Ele também argumentou que o pai estava "sob o efeito de medicamentos", com a fala "completamente alterada" e "arrastada", o que seria comprovado por laudo médico.
A defesa de Bolsonaro tem tido todos os seus recursos rejeitados até o momento. Os advogados argumentam que o ex-presidente sofre "graves problemas de saúde", comprovados por exames e laudos, e por isso deve retornar à prisão domiciliar. As complicações listadas incluem "estado de confusão mental, alucinações e paranoia", que, segundo Bolsonaro na audiência de custódia, foram causadas pelo uso recente de dois remédios controlados.
Outra medida adotada na PF foi a troca da película das portas de vidro da Superintendência, realizada para dar mais "privacidade" ao ex-presidente após ele ter sido filmado.
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