Um ano após o Jornalismo da Band revelar com exclusividade um dos maiores escândalos na saúde pública do país, seis pacientes que receberam transplantes de órgãos contaminados com o vírus HIV continuam lidando com as consequências da infecção. As seis pessoas recebem órgãos com o vírus HIV provenientes de dois doadores.
O laboratório responsável pelas análises, o PCS Saleme, emite laudos com resultados errados, causando a contaminação dos pacientes. Com a saúde já fragilizada pelo transplante, os infectados passam a carregar também o medo de um diagnóstico irreversível.
O caso força mudanças no sistema nacional de transplantes. Em setembro, o governo federal lança uma política nacional com diretrizes mais rígidas. No Rio de Janeiro, novos protocolos passam a exigir a checagem dos exames, agora feitos pelo HemoRio.
Justiça e indenização
Há três meses, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) é assinado entre a Secretaria Estadual de Saúde, o PCS Saleme e o Ministério Público. O acordo visa garantir o fornecimento de medicamentos, transporte, atendimento médico, psicológico e social às vítimas.
No Rio de Janeiro, o acordo também define o pagamento de uma indenização de R$ 280 mil. No entanto, dois pacientes recusam a proposta e alegam que sequer foram incluídos nas negociações.
O inquérito que investiga o contrato emergencial do laboratório com o governo do Rio de Janeiro deve ser concluído até o fim do ano.
O laboratório PCS Saleme permanece fechado. No fim do ano passado, quatro funcionários são presos. Os dois sócios, Matheus Sales Bandoli e Walter Vieira, também chegam a ir para a cadeia, mas todos são soltos e cumprem medidas cautelares. O julgamento do caso, que teve início no começo do ano, não tem data para terminar.
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