Jornal da Band

Juliana Rosa sobre taxa Selic: "Dose está alta demais e vai começar a cair"

Em decisão unânime, BC interrompe ciclo mas garante redução na próxima reunião; taxa brasileira permanece como a segunda maior do mundo

Por Redação
REDAÇÃO

28/01/2026 • 21:42 • Atualizado em 28/01/2026 • 21:42

Juliana Rosa
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, em 15% ao ano. A manutenção da taxa, que serve como referência para as operações bancárias em todo o país, já era esperada pela maioria dos analistas do setor financeiro, embora houvesse uma expectativa residual por um corte imediato.

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A grande surpresa do anúncio não reside no percentual mantido, mas no teor do comunicado oficial emitido pela autoridade monetária. De forma categórica, o Banco Central afirma que o ciclo de redução dos juros terá início na próxima reunião, agendada para março.

Juliana Rosa observa que as sinalizações sobre passos futuros costumam ser sutis, e uma afirmação direta como esta ocorre apenas quando há um elevado grau de certeza por parte do colegiado.

Projeções e cenário econômico

Com a indicação clara do Banco Central, o mercado financeiro projeta que a Selic seja reduzida para 14,5% em março. A trajetória de queda deve ser contínua ao longo do ano, com a expectativa de que os juros básicos encerrem o período em 12,5%.

A análise de Juliana Rosa pondera o questionamento sobre a manutenção da taxa no patamar atual diante de um cenário de dólar em queda e inflação em trajetória de recuo. Ela ressalta que os Estados Unidos também mantiveram seus juros nesta quarta-feira, porém em um patamar significativamente inferior, fixado em 3,75%.

O impacto do gasto público nos juros

Historicamente, o juro real brasileiro — aquele que desconta a inflação — é considerado uma anomalia global, ocupando a segunda posição entre os mais altos do mundo. De acordo com a avaliação de Juliana Rosa, um dos principais obstáculos para uma redução mais agressiva das taxas é o nível do gasto público, fator que dificulta o controle mais célere da inflação.

Apesar do cenário de rigor monetário, a sinalização do Copom indica que o Banco Central considera que a "dose do remédio" contra a inflação atingiu seu teto. A estratégia agora é iniciar uma transição gradual para aliviar o custo do crédito e estimular a atividade econômica a partir do próximo trimestre.

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