O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (5) que o Brasil não vai receber nenhum embaixador americano até o fim das eleições, em reação à decisão do governo dos Estados Unidos de suspender o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Lula classificou a medida como "irresponsável".
O governo decidiu manter Viotti no cargo mesmo após o cancelamento do visto. Segundo o governo brasileiro, a diplomata perde o visto de múltiplas entradas e passa a ter apenas o direito de permanecer nos Estados Unidos, sem poder deixar o território americano.
O governo Trump diz que a medida é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em dar o aval para que Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
"Ele tomou essa atitude que eu acho irresponsável, impensada. Para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática, é um tanto desnecessário", disse Lula, que emendou uma crítica à contrapartida americana: "Os Estados Unidos não deram importância para embaixador no Brasil porque faz um ano e meio que ele está no poder e não mandou para cá".
Há um clima de irritação dentro do governo com as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos, classificadas como falsas e decorrentes de uma escalada de medidas hostis contra o Brasil.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o ex-embaixador Rubens Barbosa criticou a decisão do governo americano e defendeu uma negociação.
"Uma reação muito despropositada. Quando eu fui designado embaixador brasileiro lá nos Estados Unidos, o meu pedido de agrément levou 30 dias, e o meu sucessor também levou 30 dias", afirmou, avaliando que, depois da eleição, os dois países não terão alternativa senão sentar à mesa e conversar.
Já Rubens Ricupero, também ex-embaixador em Washington, afirma não haver justificativa para a demora do governo brasileiro em conceder a aprovação ao diplomata americano. Para ele, o prazo seria de três a quatro dias a partir do pedido dos Estados Unidos.
Esse não é o único foco de tensão. O governo brasileiro decidiu, na terça-feira (4), rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina depois dos ataques do presidente Javier Milei a Lula. Agora, o Brasil vai manter apenas um encarregado de negócios no país vizinho.
"Pedimos explicações e dissemos que, enquanto não houver explicações satisfatórias, vamos manter o nosso embaixador Júlio Bitelli no Brasil, e a embaixada da Argentina será dirigida por um encarregado de negócios", afirmou o chanceler Mauro Vieira.
O chanceler argentino, Pablo Quirno, lamentou a decisão, disse esperar uma mudança de poder no Brasil e afirmou que a Argentina não tomará nenhuma medida em resposta. "O Brasil tem todo o direito de tomar as decisões que quiser. Continuaremos a manter as relações no nível que o Brasil determinar", declarou.
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