Jornal da Band

Paraná vive onda de tornados e tende a ter mais, alertam meteorologistas

Estado inserido no segundo maior corredor de tornados do planeta, que tende a se intensificar com o aquecimento global e o El Niño

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

03/07/2026 • 20:41 • Atualizado em 03/07/2026 • 21:12

O Brasil abriga hoje o segundo principal corredor de tornados do mundo, atrás apenas da região central dos Estados Unidos, e esses fenômenos devem se tornar mais frequentes no país, especialmente no Paraná. Só no estado, foram seis tornados desde novembro do ano passado, num intervalo de poucos meses que expôs a vulnerabilidade da região a um dos eventos mais devastadores da natureza.

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O caso mais grave ocorreu em novembro, quando um tornado destruiu 90% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu e deixou sete mortos. O fenômeno foi classificado como F4, em uma escala internacional que vai até 5, com ventos que atingiram quase 400 quilômetros por hora. Em janeiro, outro tornado provocou destruição em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

O episódio mais recente aconteceu no domingo, na cidade de Reserva, na região central do Paraná. Classificado como F2, o tornado destruiu onze casas e arrancou árvores inteiras, mas não deixou feridos. Dez famílias tiveram de ser alojadas em casas de parentes ou amigos. O coordenador da Defesa Civil do município, Adjalma Alves de Oliveira, afirma que a situação foi inédita na região e que só foi possível dimensionar o estrago na manhã seguinte.

Meteorologistas explicam que o Paraná está inserido no segundo maior corredor de tornados do planeta. A área abrange os três estados do Sul e se estende até o Mato Grosso do Sul, justamente a faixa onde se encontram correntes de ar seco, úmido e frio, combinação que favorece a formação desse tipo de tempestade.

A preocupação agora é com o que ainda está por vir. Com o aquecimento do planeta e a atuação do fenômeno El Niño, a expectativa é de que os tornados ocorram com ainda mais frequência, principalmente durante a primavera.

O meteorologista Guilherme Borges explica que os ventos vindos da Amazônia em direção ao Sul se encontram com massas de ar do extremo sul do continente, e essa confluência, somada às chamadas nuvens supercelulares, cria as condições ideais para o surgimento dos tornados na região.

Segundo o especialista, o El Niño intensifica o transporte de umidade para o Sul do país, o que pode resultar em episódios ainda mais recorrentes. A escala Fujita, usada para medir a intensidade desses fenômenos, vai de F0 a F5, do mais fraco ao mais devastador — e os registros paranaenses recentes já cobriram desde os graus intermediários até os mais severos.