A agenda dos candidatos ao Planalto teve como palco nesta terça-feira (4) uma sabatina promovida por um grupo que reúne empresários de diferentes áreas, em São Paulo, onde a economia dominou as perguntas e as respostas se concentraram em impostos, taxa de juros e ambiente de negócios.
Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) participaram presencialmente do encontro, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) respondeu por videoconferência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas não compareceu.
Zema listou propostas para o equilíbrio das contas públicas em um eventual governo, incluindo privatizações. "Para mim não tem vaca sagrada", afirmou, ao ser questionado se incluiria até os Correios na lista.
"Tudo, tudo! Não tem o que não privatizar. O Estado já tem uma tarefa gigante para fazer na área de segurança pública, de saúde, de educação e ainda quer empresariar, coisa que ele não sabe fazer", afirmou o ex-governador de Minas Gerais que, durante a tarde, confirmou o senador Eduardo Girão (Novo-CE) como candidato a vice na chapa.
Caiado prometeu, caso seja eleito, previsibilidade em decisões econômicas e medidas para reequilibrar as contas públicas. O ex-governador de Goiás defendeu um pacto entre os poderes para reduzir despesas e afastou soluções rápidas.
"Não tem varinha mágica. Isso aí tem a responsabilidade de sentar e fazer os cortes, dando o primeiro bom exemplo", disse, ao sustentar que cada parte terá de assumir o compromisso de diminuição de gastos até que o país chegue a um patamar de sustentabilidade.
Renan abordou emendas parlamentares e governabilidade. Segundo o candidato do Missão, o próximo governo terá de usar as emendas a seu favor para obter apoio no Congresso e espaço fiscal, algo que classificou como de interesse do setor produtivo e que, em suas palavras, não seria "exatamente a coisa mais antissistema do mundo".
Na sabatina, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a escolha do vice. O candidato do PL afirmou que ainda tinha espaço para negociar o posto até 15 de agosto, data final para o registro das candidaturas. "Tenho mais alguns dias aí de novela para a gente poder escolher", disse.
Nesta terça-feira, o Republicanos e o União Brasil confirmaram que não apoiarão formalmente candidatos ao Planalto – decisão que não surpreendeu o comando da campanha de Flávio. Com isso, o nome de Daniella Marques, preferida do senador no Republicanos, saiu dos planos para a vice.
A equipe passou a tratar a chapa puro-sangue, apenas com integrantes do próprio PL, como a "única opção viável", e a vereadora cearense Priscilla Costa é hoje a favorita ao posto. Durante a noite, a campanha do candidato afirmou que o nome escolhido para o posto será anunciado na manhã desta quarta-feira (5).
Fora da sabatina, Lula teve reuniões internas e acompanhou os preparativos para o primeiro ato público da campanha à reeleição, marcado para o dia 16. O local escolhido é o estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, palco histórico das greves dos metalúrgicos que marcaram o início de sua trajetória política e do PT.
A escolha também busca reforçar a campanha em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, onde pesquisas apontam vantagem de Flávio Bolsonaro.
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