O grande dado da semana foi a confirmação das tarifas por parte do governo americano contra o Brasil. É um jogo de erros que o país vem cometendo neste tema.
A oposição errou no passado, quando um setor da própria família Bolsonaro defendeu tarifas contra o Brasil. Houve uma correção de rumos este ano, mas o leite já estava derramado.
O governo, por sua vez, nunca fez um trabalho diplomático, pragmático, de negociação e de aproximação com os Estados Unidos. Aqui ao lado, tivemos um exemplo na direção contrária: o da Argentina, que construiu um acordo comercial ao longo de um bom tempo e o assinou em 5 de fevereiro.
Mais de 1.600 produtos da pauta de exportação argentina para os Estados Unidos tiveram redução ou cancelamento de tarifas, e a cota de exportação de carnes foi multiplicada por quatro, com forte crescimento dos embarques.
No mesmo Mercosul, tivemos outros governos pragmáticos: o Uruguai não ficou com essa tarifa sobressalente de 25%, o mesmo valendo para o Chile, além da forte aproximação da Argentina.
O governo brasileiro, ao contrário, tem um dado que é autoexplicativo: 62 menções negativas do presidente Lula ao presidente Trump em pouco mais de três anos. Só neste ano, em meio às negociações, foram 42 críticas – inclusive uma nesta semana, chamando o presidente americano de pirata, a propósito do Estreito de Ormuz.
Ou seja, o governo brasileiro de alguma maneira construiu este conflito, que agora, evidentemente, será pago pela economia brasileira e, em última instância, pelo contribuinte, que deverá arcar com as devidas compensações. É um resultado que se colhe a partir daquilo que se planta em termos de negociação internacional.
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