
Coronel Glauce será a primeira mulher a comandar a PM de SP
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
A Polícia Militar do Estado de São Paulo terá uma mulher como comandante-geral pela primeira vez em quase dois séculos de história. A coronel Glauce Anselmo Cavalli foi nomeada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para chefiar a corporação. A nomeação foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (16).
A militar, que chefiava a Diretoria de Logística da corporação, vai suceder o coronel José Augusto Coutinho, que estava no comando da instituição desde maio de 2025.A nova comandante-geral é mestre e doutora em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, além de graduada em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e em Educação Física pela Escola de Educação Física da PM.
Também comandou o Comando de Policiamento de Área Metropolitana Dois (CPA/M-2), responsável por uma das regiões mais populosas da capital paulista, e chefiou a Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral e o Centro de Comunicação Social da PM.
"A coronel Glauce construiu uma trajetória sólida na Polícia Militar, com formação de excelência, liderança reconhecida e ampla experiência em funções operacionais, estratégicas e de gestão. Foi destaque desde a formação e seguiu acumulando responsabilidades ao longo da carreira, sempre com alto nível técnico. É uma oficial extremamente preparada para comandar a maior tropa policial do País", disse Tarcísio em nota divulgada pelo governo do Estado.
A nomeação, apresentada como um marco histórico para a PM, vem no momento em que um oficial da corporação é investigado por feminicídio. O tenente-coronel Geraldo Neto está preso sob a acusação de ter matado sua esposa, a soldado Gisele Alves.
Outro caso de morte envolvendo policiais é o de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, atingida na barriga durante abordagem na Cidade Tiradentes pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos. A militar foi afastada e o caso é investigado.
Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) também apresentam outros dados preocupantes sobre violência contra as mulheres: os números de feminicídio em espaços públicos de São Paulo bateram um recorde trágico em 2025.
Ao todo, 109 mulheres foram mortas em ruas, postos de trabalho, estabelecimentos comerciais e até unidades de saúde, evidenciando o avanço da violência de gênero para além do ambiente doméstico.
O número de assassinatos ocorridos em ambientes externos representa 40% do total de casos de feminicídio registrados no estado no último ano. Apesar do crescimento da violência em áreas públicas, a residência oficial da vítima continua sendo o local de maior perigo estatístico: seis em cada dez crimes dessa natureza ainda são cometidos dentro de casa , onde também se concentram altos índices de violência contra crianças.
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