
Mototáxi
Tania Rego/Agência Brasil
A Prefeitura de São Paulo recorreu nesta sexta-feira (24) ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para barrar a decisão que autorizou a Uber a oferecer transporte de passageiros por motocicletas na cidade. A decisão da juíza Patrícia Persicano Pires, na terça-feira (21), determinou a autorização no prazo de 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
"O município está entrando com agravo da decisão por entender que ela merece revisão pelas instâncias competentes. Enquanto isso, será dado integral cumprimento à determinação judicial", diz a Prefeitura em nota.
De acordo com a gestão municipal, a empresa ainda precisa cumprir etapas previstas na regulamentação do serviço antes de começar a operar na capital. "Entre as exigências para o cadastramento dos profissionais estão a realização de exame toxicológico, a conclusão de curso preparatório, o cadastro da motocicleta e a verificação de antecedentes criminais", afirma.
Em nota, a Uber afirmou que a decisão do TJ-SP confirma a legalidade da sua operação e reforçou o compromisso com a segurança de usuários e parceiros, que contam com Seguro de Acidentes Pessoais em todas as viagens realizadas pela plataforma. A empresa acrescentou que seguirá trabalhando para ampliar as opções de mobilidade para os paulistanos, oferecendo uma alternativa que classifica como eficiente, acessível e já consolidada em diversas metrópoles brasileiras.
A Prefeitura aponta que, em 2025, foram registradas 475 mortes de motociclistas no trânsito da cidade. Segundo a gestão municipal, no primeiro semestre deste ano, foram 283 óbitos.
"O Município permanecerá defendendo a vida. A PGM/SP informa que a Prefeitura ainda não foi notificada da decisão e, assim que isso ocorrer, estudará as medidas cabíveis", afirmou.
Na última semana, a Prefeitura e o Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV) haviam negado o pedido da Uber para operar o serviço. A empresa contestou as razões apresentadas e afirmou que se tratava de uma tentativa de barrar o transporte de passageiros por motocicletas na cidade.
A decisão da juíza Patrícia Persicano Pires rejeita o novo indeferimento emitido pelo CMUV, o classificando como resistência ao cumprimento de ordens judiciais anteriores.
Briga na Justiça
Desde 2023, a Prefeitura e as empresas Uber e 99 travam uma disputa judicial acerca da liberação do serviço na cidade. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que municípios não podem proibir o mototáxi, as companhias de transporte por aplicativos anunciaram o início do serviço a partir de dezembro de 2025. O TJ-SP determinou que a Prefeitura regulamentasse o modal.
A justificativa da gestão para se opor ao serviço, antes da regulamentação aprovada pela Câmara, era um eventual aumento do número de acidentes em um trânsito já sobrecarregado.
Mesmo após a aprovação da regulamentação, a Uber, a 99 e outras integrantes da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) criticaram as obrigações previstas no texto, classificando-o como "ilegal" e afirmando que ele funciona como uma "proibição ao funcionamento das motos por aplicativo".
A 99 anunciou em abril de 2026 que desistiu de oferecer o serviço de mototáxi em São Paulo. Na ocasião, a empresa informou que estava focada na expansão do serviço de entrega e não havia planos de lançar a modalidade na capital paulista.
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