A Defesa Civil de São Paulo e o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) preveem ventos de até 100 km/h no Estado nesta sexta-feira (7), acompanhados de chuvas moderadas, o que levou órgãos públicos, prefeituras e concessionárias a acionarem planos de contingência e a suspenderem serviços em áreas mais vulneráveis.
Os impactos já atingem o litoral. A Capitania dos Portos fechou o canal do Porto de Santos para navegação e determinou a paralisação das travessias de balsas entre Santos e Guarujá e das barcas entre Santos e Vicente de Carvalho por volta das 6h45. As operações entre Santos e Guarujá e entre Santos e Vicente de Carvalho foram retomadas cerca de 40 minutos depois, às 7h25, enquanto a travessia entre Guarujá e Bertioga permanece suspensa.
De acordo com a Capitania, os ventos chegaram a 55 km/h e o Porto de Santos passou à condição de impraticabilidade para manobras. A empresa de meteorologia Climatempo informou que, na capital, as rajadas podem alcançar 80 km/h, enquanto no litoral paulista, na Serra do Mar e no Vale do Paraíba a previsão varia entre 90 km/h e 110 km/h.
Com o alerta, a Enel colocou em ação seu plano de contingência para eventos climáticos, reforçando equipes operacionais e canais de atendimento para responder a possíveis ocorrências que afetem o fornecimento de energia.
Regiões em alerta e operação do Estado
Uma das áreas com maior risco é a Baixada Santista. As prefeituras de Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas na rede pública nesta sexta-feira, diante da expectativa de ventos fortes e da possibilidade de transtornos.
A ventania é consequência da chegada, na quinta-feira (6), de um ciclone extratropical à região Sul do País. Segundo a Defesa Civil, nove das 16 regiões administrativas paulistas estão em alerta vermelho, de risco muito alto: Marília, Bauru, Itapeva, Registro, Sorocaba, Campinas, Santos, Vale do Paraíba e litoral norte, além da região metropolitana. As demais áreas permanecem em alerta laranja, de risco alto.
Na avaliação do meteorologista da Defesa Civil, William Minhoto, o sistema vai atingir principalmente o Rio Grande do Sul, onde há condição para eventos extremos. Em São Paulo, chega associado a uma frente fria, elevando a possibilidade de rajadas intensas e chuva forte em pontos isolados.
O ciclone é classificado como bomba pela característica de ganhar intensidade rapidamente, com queda acentuada da pressão atmosférica. Minhoto explica que, enquanto um ciclone comum mantém a pressão estável por dois ou três dias, este sistema registrou forte queda em menos de 24 horas, o que indica ventos mais intensos. Segundo ele, a Baixada Santista está entre as regiões de maior risco porque a Serra do Mar funciona como um refletor, impedindo a ascensão dos ventos e potencializando a força das rajadas.
O governo paulista mobilizou desde quinta-feira o Gabinete de Crise para acompanhar a passagem da frente fria. O grupo reúne representantes de órgãos estaduais, concessionárias de energia, água e gás, agências reguladoras, polícias e Corpo de Bombeiros para monitorar a evolução das condições meteorológicas e coordenar a resposta a ocorrências. Entre a tarde e a noite de quinta, a Defesa Civil já havia emitido alertas severos de chuva e vento para dez regiões.
Orientações da Defesa Civil para antes, durante e depois
A Defesa Civil divulgou recomendações para reduzir riscos à população. Antes da ventania, o órgão orienta recolher ou fixar objetos soltos em quintais, varandas e sacadas, como vasos, cadeiras e brinquedos, e verificar a fixação das telhas de concreto, metal ou PVC. Sinais como telhas quebradas, infiltrações recorrentes, manchas de umidade, estalos durante ventos fortes e rachaduras no forro podem indicar problemas estruturais e exigem avaliação técnica.
Durante as rajadas, a recomendação é evitar abrigo sob árvores, ficar atento a placas, letreiros, toldos e objetos que possam se desprender e não se aproximar de fios elétricos caídos. Em construções e áreas abertas, deve-se redobrar a atenção com andaimes, tapumes e estruturas provisórias, interromper atividades em telhados e estruturas elevadas e buscar abrigo em edificações de alvenaria, longe de janelas de vidro e coberturas metálicas. Motoristas devem reduzir a velocidade nas rodovias e manter distância segura de outros veículos, devido ao risco de baixa visibilidade e queda de galhos.
Após a ventania, a Defesa Civil afirma que não se deve subir em telhados para reparos enquanto houver possibilidade de novas rajadas ou sem equipamentos de proteção. Em caso de cabos elétricos rompidos, a orientação é manter distância e acionar imediatamente a concessionária de energia ou o Corpo de Bombeiros, pelo número 193. Se o imóvel apresentar rachaduras estruturais, paredes inclinadas ou risco de desabamento, os moradores devem deixar o local e comunicar o órgão.
Cuidados com a rede elétrica, segundo a Enel
A Enel também detalhou cuidados específicos com a rede elétrica. A concessionária recomenda não se aproximar de cabos partidos, evitar o contato com objetos metálicos como semáforos, postes de iluminação, pontos de ônibus, portões e grades, sobretudo em áreas alagadas, e retirar equipamentos da tomada, mantendo-os longe da água.
A empresa orienta ainda que as pessoas busquem abrigo em locais seguros, afastados de estruturas suscetíveis a danos, como postes, árvores e fiações, e evitem permanecer em áreas arborizadas durante a tempestade, por causa do risco de queda de árvores.
Com informações do Estadão Conteúdo.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

