O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (11) que o país começou um processo de "limpeza" do Estreito de Ormuz após o Irã interromper o tráfego de petroleiros e de navios comerciais pelo canal.
O Irã instalou minas navais no local, por onde passa 20% de todo o petróleo comercializado por via marítima no mundo, e atribuiu a ação ao que chamou de violações israelenses ao cessar-fogo após os ataques de Israel contra o Líbano.
"Agora estamos iniciando o processo de limpeza do Estreito de Ormuz como um favor a países de todo o mundo, incluindo China, Japão, Coreia do Sul, França, Alemanha e muitos outros. Incrivelmente, eles não têm coragem nem vontade de fazer esse trabalho por conta própria", afirmou Trump pelas redes sociais.
Trump também disse que petroleiros de vários países estão se dirigindo aos Estados Unidos para se abastecer de petróleo, e voltou a afirmar que o Irã está "perdendo a guerra" e não teria condições de interromper o Estreito.
"A única coisa que lhes resta é a ameaça de que algum navio possa 'esbarrar' em uma de suas minas marítimas - o que, aliás, é improvável, já que todas as 28 embarcações usadas para lançar minas também estão no fundo do mar", disse o presidente.
Negociações de paz
EUA e Irã começaram neste sábado uma rodada de negociações em Islamabad, capital do Paquistão, em tratativas durante 14 horas. O encontro acontece sob a mediação da diplomacia paquistanesa e reúne representantes dos envolvidos, mas a distância entre as posições permanece grande.
A delegação americana é liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. O grupo iraniano, com mais de 70 integrantes, é chefiado pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
O tom, por outro lado, é de cautela. Ghalibaf afirmou que seu país entra nas negociações com "boas intenções, mas sem confiança". O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi na mesma direção ao dizer a seu homólogo alemão que Teerã entra no diálogo com "total desconfiança". Do lado americano, Vance alertou para que o Irã “não brinque” com os EUA. Segundo a imprensa iraniana, as delegações se reuniram por mais de cinco horas de conversa e pausaram por duas vezes. A reunião já foi retomada para uma terceira rodada de negociações.
Ainda segundo os persas, os EUA apresentam "exigências excessivas" em relação ao Estreito de Ormuz, importante canal para o trânsito global de petróleo e cuja abertura é uma exigência central para Washington.
O Irã bloqueou efetivamente a passagem pelo local, e sua reabertura foi o foco de um ultimato de Trump, que disse que aniquilaria uma "civilização inteira" se Teerã não o reabrisse - Washington também deseja que o Irã desista de seu projeto nuclear e arsenal de mísseis balísticos.
Já o Irã anunciou que quer manter o controle da passagem e exige que os Estados Unidos retirem suas forças de todas as bases na região e quer preservar o direito dos iranianos de prosseguir com o enriquecimento nuclear.
A televisão estatal iraniana afirmou que, no encontro com oficiais do Paquistão, a delegação do Irã apresentou seus termos para o fim do conflito. As exigências também incluem indenização pelos danos causados “pelos ataques conjuntos de EUA e Israel” e a liberação dos ativos congelados do país.
Antes das reuniões, o primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, disse nas redes sociais que, se os interesses israelenses forem priorizados nas negociações, "não haverá acordo"."
Qual é a importância do Líbano?
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou à televisão estatal iraniana que o cessar-fogo no Líbano é uma "exigência fundamental", durante o encontro da delegação iraniana com autoridades paquistanesas.
Israel continuou atacando o Líbano após o anúncio do cessar-fogo na semana passada entre os EUA e o Irã. O Paquistão havia apontado que o país estava incluso no acordo de trégua, mas oficiais israelenses negaram a informação.
Baghaei descreveu as negociações como um "momento particular" para o Irã e enquadrou a diplomacia como uma "continuação da defesa e uma continuação da guerra".
"Uma intensa luta está em curso na frente diplomática", disse ele.
Impactos da guerra
A guerra teve início em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Os ataques resultaram na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e o conflito logo se espalhou para países vizinhos.
Foi a segunda vez em menos de um ano que o presidente Trump envolveu diretamente os EUA em um conflito militar com Teerã.
O republicano justificou o confronto como parte de um esforço para incitar os iranianos a derrubar sua liderança teocrática, mas a guerra escalou e se transformou em um conflito regional que resultou em milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, mas também nos países do Golfo e em Israel. Centenas de milhares de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, e a economia global foi gravemente abalada.
A guerra praticamente paralisou o fluxo de navios por Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, e danificou instalações de produção de petróleo e gás em todo o Oriente Médio.
Em resposta, os preços do petróleo dispararam em todo o mundo. O petróleo bruto Brent, referência internacional, passou de cerca de US$ 70 por barril antes da guerra para mais de US$ 119 em alguns momentos.
Com Estadão Conteúdo
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