
Trump
Reprodução: AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta terça-feira (5), a suspensão do Projeto Liberdade, que consiste na atuação americana para guiar e escoltar navios pelo Estreito de Ormuz. Apesar da medida, o bloqueio aos portos iranianos na região será mantido.
Trump fez o anúncio em sua rede social, onde afirmou atender a um pedido do Paquistão e outros países “para verificar se o acordo [com o Irã] pode ser finalizado e assinado”. Ele também exaltou o “enorme sucesso militar” dos EUA e os “grandes progressos feitos” rumo à um acordo.
A medida acontece enquanto o governo americano avalia a última proposta de paz enviada pelo Irã. Uma anterior foi rejeitada por abordar apenas as questões envolvendo o controle do Estreito de Ormuz, mas não o programa nuclear iraniano, considerado fundamental pela administração Trump.
‘Impossível e inalcançável’
Mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que as exigências dos Estados Unidos são "impossíveis e inalcançáveis" e criticou a combinação de pressão militar com expectativa de negociação.
Segundo comunicado oficial, divulgado via Telegram, Pezeshkian afirmou que o Irã já foi alvo de ataques durante negociações anteriores e que há atualmente mobilização militar e ameaças na região.
O presidente reiterou que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos e que Teerã está disposto a oferecer garantias dentro das normas internacionais, mas não aceitará imposições externas. "Não buscamos guerra", disse, ao defender a via diplomática para resolver divergências, inclusive no Golfo.

Dois meses de conflito
Os dois países estão em conflito desde 28 de fevereiro, quando os governos de Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, matando o líder supremo do país, Ali Khamenei. Trump chegou a afirmou que a ação militar seria rápida, mas as negociações de paz não têm tido avanço concreto.
No último sábado (2), Trump afirmou que analisaria uma nova proposta iraniana, mas disse duvidar que ela leve a um acordo. O governo iraniano já mandou duas propostas de acordo, mas em ambas o país tratou apenas dos bloqueios ao Estreito de Ormuz e não sobre o programa nuclear do país.
Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. A região tornou-se um dos principais pontos de tensão nas negociações, já que os EUA defendem a reabertura total da via, enquanto o Irã busca ampliar seu controle sobre a navegação e cogita impor restrições ou taxas para embarcações que cruzem a área.
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