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Tudo o que se sabe sobre a segunda fase da Operação Compliance Zero

PF aprofunda investigação sobre esquema bilionário no Banco Master, cumpre 42 mandados em cinco estados e bloqueia mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores na segunda fase da Operação Compliance Zero

Da redação
DA REDAÇÃO

14/01/2026 • 09:40 • Atualizado em 14/01/2026 • 09:40

Resumo

Ação da Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero para investigar esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, tendo como principais alvos o Banco Master, seu controlador Daniel Vorcaro, familiares, o investidor Nelson Tanure e o ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur.

Operação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, resultando na apreensão de bens de alto valor e no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões, incluindo a detenção de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, ao tentar embarcar para Dubai, enquanto as investigações apontam a criação de operações de crédito falsas para inflar artificialmente balanços financeiros.

Declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificaram o caso como potencialmente a maior fraude bancária da história do país, destacando a necessidade de rigor técnico e transparência nas apurações, com investigações mantidas sob sigilo e expectativa de novas responsabilizações conforme análise do material apreendido.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro nacional. A ação aprofunda as apurações sobre crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais, tendo como principal alvo o Banco Master e pessoas ligadas ao seu controlador, Daniel Vorcaro.

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Mandados, alvos e alcance da operação

Nesta nova etapa, a Polícia Federal cumpre 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ordens judiciais estão sendo executadas em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

A operação mira endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de parentes e outros investigados. Entre os alvos também estão o investidor e empresário Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos.

Durante o cumprimento dos mandados, a PF apreendeu carros, relógios de luxo e outros bens de alto valor, reforçando os indícios de enriquecimento ilícito associados às suspeitas de fraude financeira.

Bloqueio bilionário de bens

Além das buscas, a Justiça determinou medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Segundo a Polícia Federal, o objetivo é interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações.

Detenção em aeroporto

Outra prisão importante desta fase foi a de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Ele foi abordado pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, no momento em que tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Zettel foi detido para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, não havendo, até o momento, informação sobre prisão preventiva relacionada a esse episódio.

O que está sendo investigado

A segunda fase da Compliance Zero dá continuidade às apurações sobre um esquema que teria envolvido a criação de operações de crédito falsas dentro do sistema financeiro. As investigações apontam que instituições suspeitas simulavam empréstimos e valores a receber, negociando essas carteiras de crédito com outros bancos.

Após a aprovação contábil pelo Banco Central, esses créditos fraudulentos e títulos de dívida teriam sido substituídos por outros ativos, sem a devida avaliação técnica, mascarando prejuízos e inflando artificialmente balanços financeiros.

Primeira fase e prisão de Vorcaro

A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025, a partir de investigações iniciadas em 2024, a pedido do Ministério Público Federal (MPF).

Naquela etapa, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A Justiça também determinou o afastamento do presidente e do diretor do Banco de Brasília (BRB), em razão de suspeitas de envolvimento no esquema.

Repercussão no governo

O caso ganhou dimensão política e econômica após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou que o episódio envolvendo o Banco Master pode se configurar como a maior fraude bancária da história do país.

“O caso inspira muito cuidado, podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país. Temos que garantir todo o espaço para a defesa, mas ser firmes na defesa do interesse público”, disse Haddad.

O ministro afirmou ainda manter diálogo permanente com o Banco Central desde a decretação da liquidação da instituição financeira e manifestou apoio público ao trabalho conduzido pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo. Segundo Haddad, o processo exige rigor técnico e transparência, diante do potencial impacto sobre o sistema financeiro nacional.

Próximos passos

Até o momento, a Polícia Federal não divulgou detalhes sobre novas prisões nesta fase, nem o cronograma das próximas diligências. As investigações seguem sob sigilo, mas a expectativa é de que a análise do material apreendido e o rastreamento dos recursos bloqueados ajudem a dimensionar o alcance do esquema e a responsabilizar os envolvidos.

A Operação Compliance Zero segue em andamento, e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das apurações.

Veja as imagens da operação:

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