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Genética do Fila Brasileiro e Fox Paulistinha questiona a "raça pura"

Estudo genético da UFRJ revela que a ancestralidade do Fila Brasileiro e do Fox Paulistinha diverge das classificações históricas e alerta para os riscos da busca por homogeneidade biológica

Da redação
DA REDAÇÃO

17/04/2026 • 18:35 • Atualizado em 17/04/2026 • 18:35

Desafiando a ideia de 'raça pura': a genética por trás do Fila Brasileiro e do Fox Paulistinha

Desafiando a ideia de 'raça pura': a genética por trás do Fila Brasileiro e do Fox Paulistinha

Divulgação/Amante de Cães

Um estudo brasileiro publicado na revista Genetics and Molecular Biology traz revelações que podem transformar o entendimento sobre a origem de cães nacionais. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), analisou o genoma mitocondrial do Fila Brasileiro e do Fox Paulistinha, revelando que a árvore genealógica dessas linhagens é muito mais complexa do que as teorias históricas sugeriam.

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A busca pela linhagem materna

Idealizado pela pesquisadora Thaís Fontenelle, o estudo utilizou o DNA mitocondrial — material genético transmitido exclusivamente pela linhagem materna e que permanece estável por gerações — para rastrear os eventos fundadores das raças. A equipe sequenciou amostras de indivíduos representativos de cada padrão e comparou os dados com bancos genéticos globais.

O objetivo era verificar se a ancestralidade genética confirmava as classificações morfológicas e os registros históricos. No entanto, os resultados mostraram um cenário inesperado:

Fox Paulistinha (Terrier Brasileiro): Apesar do nome, o estudo indicou que ele não possui proximidade genética direta com o grupo dos Terriers.

Fila Brasileiro (Mastim Brasileiro): A análise revelou que a raça está mais próxima geneticamente de cães farejadores (hounds) do que dos mastins clássicos.

Para Francisco Prosdocimi, coordenador do estudo, os dados sugerem que a identidade dessas raças foi construída sobre múltiplas origens maternas e cruzamentos não registrados. "A noção de pertencimento a um grupo reflete mais critérios de aparência do que uma ancestralidade genética linear", explica o pesquisador.

Isso coloca em xeque o conceito biológico de "raça pura". Segundo Prosdocimi, esse termo deve ser encarado mais como uma convenção administrativa do que uma realidade genética absoluta. Enquanto o mercado de criadores prioriza a homogeneidade visual, a biologia aponta que a diversidade genômica é o que garante resiliência e saúde aos animais.

Saúde e futuro da investigação

O estudo alerta que o isolamento reprodutivo rigoroso, feito para manter a "pureza", pode favorecer o surgimento de doenças hereditárias devido ao parentesco próximo. Compreender a verdadeira estrutura genética ajuda criadores e veterinários a tomarem decisões de manejo mais informadas, especialmente em populações menores. "As raças modernas são construções recentes baseadas em fenótipo — aparência e função. A genética, porém, revela contribuições de múltiplas populações que a história formal não documentou", ressalta Prosdocimi.

Embora o DNA mitocondrial tenha sido uma ferramenta eficaz para iniciar essa investigação, os pesquisadores planejam agora analisar o DNA nuclear para obter um mapeamento ainda mais detalhado. O objetivo futuro é ampliar a amostragem e comparar as linhagens brasileiras com outras populações caninas da América Latina, consolidando a história evolutiva dos cães no continente.

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