Além de Flávio, veja aliados bolsonaristas que deixaram o Brasil
Nos últimos anos, a relação entre o Judiciário brasileiro e o núcleo duro do bolsonarismo resultou em uma onda de saídas do país. Políticos de alto escalão,

Nos últimos anos, a relação entre o Judiciário brasileiro e o núcleo duro do bolsonarismo resultou em uma onda de saídas do país. Políticos de alto escalão, ex-ocupantes de cargos públicos e influenciadores investigados ou já condenados foram para o exterior para evitar ordens de prisão ou o cumprimento de penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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O caso mais recente é do senador Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), após a imposição de medidas cautelares pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Entre elas estão a apreensão dos passaportes do parlamentar, a proibição de deixar o Brasil e a vedação de qualquer contato com o advogado Willer Tomaz.
A instauração das medidas cautelares aconteceu no âmbito do inquérito que apura possível relação do parlamentar por suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas em empresas e plataformas de apostas (bets). A investigação surgiu após análise do celular de Tomaz, apreendido pela PF em outra operação.
Abaixo outros aliados do bolsonarismo que também optaram por deixar o Brasil:
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Parlamentares e figuras políticas
- Eduardo Bolsonaro (PL-SP): Sentenciado a 4 anos de prisão por coação no curso do processo após atuar junto ao governo norte-americano para tentar aplicar sanções ao Brasil e interferir no julgamento do pai, Jair Bolsonaro. Viajou para os Estados Unidos no início de 2025 e lá permaneceu. Teve mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro Alexandre de Moraes e seu nome incluído no Banco Nacional de Mandados de Prisão.
- Alexandre Ramagem (PL-RJ): Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, deixou o Brasil no segundo semestre de 2025 com destino aos EUA, ignorando medidas cautelares. Após sua condenação no processo sobre a tentativa de golpe de Estado, teve a prisão preventiva decretada e, hoje, enfrenta processo de extradição e pedido de asilo.
- Carla Zambelli (PL-SP): Condenada a 10 anos de reclusão pelo STF envolvida no ataque hacker e invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e mais 5 anos e 3 meses por perseguir um homem com uma arma por uma rua do centro de São Paulo. A ex-deputada deixou o país e fez uma rota pela América Latina e EUA até chegar à Itália, onde foi detida pelas autoridades locais e aguarda o desfecho do processo de extradição formulado pela Justiça brasileira.
Ex-Comandantes e servidores públicos
- Silvinei Vasques: Ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), ele foi condenado a mais de 24 anos de prisão por sua atuação para impedir o fluxo de eleitores no segundo turno das eleições de 2022. Rompeu o monitoramento eletrônico para tentar fugir rumo a El Salvador, mas acabou sendo detido pela polícia paraguaia em Assunção ao tentar usar um passaporte falso e foi expulso do país, sendo entregue às autoridades brasileiras.
- Willer Tomaz: Advogado investigado por irregularidades e descontos não autorizados em aposentadorias do INSS, além de ser citado em inquéritos do STF referente a lavagem de dinheiro. Deixou o Brasil durante o avanço das apurações.
Influenciadores e blogueiros
- Allan dos Santos: Alvo de mandado de prisão preventiva expedido pelo STF ainda em 2021 no Inquérito das Fake News e das Milícias Digitais. O blogueiro reside nos Estados Unidos, de onde manteve atividades nas redes e transmissões, enquanto o Brasil tenta formalizar sua extradição junto ao governo americano.
- Oswaldo Eustáquio: Foragido desde 2023, o influenciador fixou residência na Espanha. Responde a investigações por incitação ao crime, ameaça e ataques ao sistema eleitoral e às instituições democráticas. O STF aceitou nova denúncia e o tornou réu.
Situação do mecanismo de extradição
A permanência desses alvos no exterior envolve tratados de cooperação internacional complexos. Em países como Estados Unidos e Itália, os pedidos de extradição encaminhados pelo Ministério da Justiça dependem de decisões judiciais e diplomáticas que avaliam crimes políticos versus crimes comuns, o que costuma prolongar a permanência dos foragidos em solo estrangeiro por meses ou anos.
No caso de Flávio, deputados do PT apresentaram uma solicitação ao STF requerendo a prisão preventiva do senador e a emissão de um alerta vermelho da Interpol caso o mandado seja expedido.
