Essa é a primeira vez desde 1894 que o Senado Federal rejeita o nome de um indicado ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Jorge Messias teve o nome negado, na noite desta quarta-feira (29), com 42 votos contrários e 34 a favor no plenário do Senado. Ele precisava da maioria simples dos 81 senadores da Casa. A rejeição de Messias impõe uma derrota ao governo Lula.
O último veto ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto, presidente de 1891 a 1894. Naquele ano, o presidente indicou o médico Cândido Barata Ribeiro para integrar a Corte.
A nomeação chegou a ser efetivada de forma provisória, mas dependia do aval dos senadores. Submetido à sabatina, Barata Ribeiro teve sua indicação analisada e acabou rejeitada pelo plenário.
Floriano havia feito a nomeação aproveitando-se de uma brecha na lei. A Constituição de 1891 exigia dos ministros do STF “notável saber”, mas não especificava o tipo de saber. Com isso, os senadores concluíram que Barata Ribeiro não poderia ficar no STF por não ter formação jurídica.
Com a decisão, ele deixou o cargo, abrindo caminho para uma nova escolha presidencial. O episódio marcou a última vez em que o Senado recusou um nome para o Supremo.
Desde então, o modelo institucional se manteve, com sabatina na CCJ e votação em plenário. Na prática, o rito tem resultado em confirmações contínuas, sem registros recentes de rejeição a indicados ao tribunal.

Quem é Jorge Messias
Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 46 anos e está no comando da Advocacia-Geral da União (AGU) desde 1º de janeiro de 2023, início do terceiro mandato de Lula. À frente da AGU, ele atua na representação jurídica do Executivo federal e na defesa de políticas públicas perante o Judiciário.
Nascido no Recife, Messias é procurador concursado da Fazenda Nacional desde 2007 e é formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE). Ele tem títulos de mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB).
Messias construiu carreira na área jurídica ligada ao setor público. Antes de chefiar a AGU, ocupou funções em órgãos federais e integrou equipes jurídicas de governos do PT.
Durante o governo Dilma Rousseff, participou da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência.
Com a mudança de governo em 2023, retornou ao primeiro escalão, indicado por Lula para comandar a AGU. No cargo, tem atuado em ações no Supremo e em outros tribunais superiores.

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