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Dino intima partidos do Congresso para explicar destinação de emendas

Decisão do ministro do STF foi tomada após determinar o bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Partidos terão prazo de dez dias

Afonso Marangoni
AFONSO MARANGONI

15/07/2026 • 10:50 • Atualizado em 15/07/2026 • 10:57

Bastidores de Brasília
Flávio Dino, ministro do STF

Flávio Dino, ministro do STF

Gustavo Moreno/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou nesta quarta-feira (15) os presidentes de todos os partidos políticos com representação no Congresso para que, no prazo de 10 dias úteis, prestem informações acerca da eventual definição, gestão, distribuição ou operacionalização de emendas parlamentares, por parte da Presidência dos partidos políticos.

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A medida vale para: Avante, Cidadania, MDB, Missão, Novo, PCdoB, PDT, PL, Podemos (PODE), PP, PRD, PSB, PSD, PSDB, PSOL, PT, PV, Rede, Republicanos, Solidariedade e União Brasil.

Em especial, deverão esclarecer os seguintes pontos, sem prejuízo de outras informações que julgarem pertinentes:

  • Se o Presidente do partido dispõe de cotas, reservas ou qualquer outro mecanismo de alocação de emendas parlamentares;
  • Em caso positivo, sua natureza, finalidade e abrangência;
  • A quem compete autorizar e deliberar sobre sua utilização;
  • O fundamento jurídico-normativo que embasa a prática;
  • O instrumento por meio do qual tais mecanismos são formalizados (normas, atas ou similares); e
  • O procedimento efetivamente adotado para a definição e destinação dos respectivos recursos, por parte dos Presidentes dos partidos.

A medida foi motivada por uma entrevista concedida pelo presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, à GloboNews, nesta terça-feira (14). Ao ser questionado se dirigentes partidários interferem na destinação de emendas parlamentares, respondeu afirmativamente. Na ocasião, afirmou, ainda, que outros presidentes de partido também indicam emendas parlamentares.

"O Sr. Valdemar Costa Neto é um político de destaque e preside um dos maiores partidos brasileiros, logo as suas afirmações públicas merecem atenção. Caso procedentes, constituem uma novidade relevante nestes autos, que, tramitando desde 2021, não contém registro dessa modalidade de emendas ao Orçamento Geral da União, isto é, emendas de titularidade ou 'cedidas' aos presidentes de partidos político", escreveu Dino no despacho.

Conforme o ministro, as informações requisitadas são relevantes para subsidiar a definição de “providências eventualmente necessárias ao aperfeiçoamento dos mecanismos de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares”, a fim de garantir o cumprimento das decisões do plenário da Corte.

A nova decisão surge poucos dias depois de Dino ter determinado o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e R$ 6 milhões do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Desde 2022, o Supremo vem ordenando medidas para sanear o chamado “orçamento secreto”, como ficou conhecida a indicação de recursos do orçamento sem identificação do parlamentar responsável ou do beneficiário final dos recursos.

As emendas parlamentares são um instrumento previsto na Constituição que dá o poder a deputados e senadores de indicar o destino de parte do Orçamento da União.

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