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Madeira, alimento e veículo: CNI aponta setores mais afetados por tarifaço

Medida atinge US$ 11 bilhões em exportações, o equivalente a 26,2% da exportação aos EUA

Da redação
DA REDAÇÃO

16/07/2026 • 17:00 • Atualizado em 16/07/2026 • 17:04

Exportação

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A partir do dia 22 de julho, a indústria brasileira enfrentará um novo e severo desafio no comércio exterior, com a tarifa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira (15) sobre 4.000 produtos brasileiros. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), medida que atinge US$ 11 bilhões em exportações, o equivalente a 26,2% do total exportado pelo Brasil para aquele mercado.

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A CNI manifestou extrema preocupação com o impacto da sobretaxa, que compromete a competitividade nacional em um de seus principais parceiros comerciais. Embora o governo norte-americano tenha incluído 429 novas exceções na lista final --como o ferro-gusa, o hidróxido de alumínio e o café instantâneo--, a indústria brasileira ainda permanece sob forte pressão.

Setores mais atingidos

Segundo levantamento da CNI, o impacto da nova tarifa será sentido de forma desigual entre os diversos segmentos industriais. O setor de madeira é o mais vulnerável, com 83,1% de suas exportações para os EUA sendo atingidas pela medida, incluindo itens como molduras de pinho e estacas. Outros setores fortemente impactados incluem:

  • Minerais não metálicos: 56,3% das exportações afetadas (granito, lajes e azulejos);
  • Químicos: 51,8% (álcool etílico, benzeno e preparações capilares);
  • Alimentos: 44,8% (açúcar de cana, carne suína congelada e sebo);
  • Veículos automotores: 30,3% (válvulas e máquinas de britagem).

Cadeia produtiva norte-americana

Curiosamente, a medida pode gerar efeitos colaterais dentro dos próprios EUA. Segundo análise da CNI, 60,3% das exportações atingidas são bens intermediários fundamentais para a própria indústria norte-americana. Além disso, o Brasil ocupa a posição de principal fornecedor em 10 dos 13 produtos mais afetados pela tarifação.

As exceções conquistadas até agora, que reduziram em US$ 2,3 milhões os prejuízos potenciais, foram fruto de intensa articulação entre os setores produtivos de ambos os países. "A ampliação da lista de produtos isentos representa um alívio, mas ainda está distante do cenário ideal", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Incertezas e próximos passos

O cenário pode se agravar nos próximos meses. Além da tarifa atual, os Estados Unidos conduzem uma segunda investigação que poderá resultar em uma taxa adicional de 12,5%, elevando a sobrecarga tributária para até 37,5% em alguns produtos.

Diante da urgência, a CNI tem intensificado o diálogo diplomático. Em parceria com a Amcham Brasil e a U.S. Chamber of Commerce, a entidade solicitou uma nova rodada de negociações entre os governos. Ricardo Alban também encaminhou uma carta direta ao presidente Donald Trump, defendendo a criação de mais canais de comunicação para preservar a relação comercial estratégica entre as duas nações.

A CNI informou que continuará monitorando os desdobramentos para buscar soluções que restabeleçam a previsibilidade no comércio bilateral e reduzam os prejuízos para as indústrias brasileira e norte-americana.