O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como infundadas e politicamente motivadas as recentes barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo o chanceler, a elevação das alíquotas de importação --de 25% no âmbito da Seção 301, além da de 10% implantada anteriormente-- ocorreu de forma unilateral e sem justificativa técnica, ignorando meses de diálogo diplomático.
Vieira fez uma declaração para jornalistas na tarde desta quinta-feira (16), onde afirmou que o governo brasileiro participou de mais de 30 reuniões de negociação e apresentou defesas formais ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em agosto e setembro de 2025.
O ministro revelou que a escalada nas tensões foi explicitamente política, mencionando uma correspondência na qual o governo Trump teria ameaçado o Brasil caso processos judiciais internos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não fossem interrompidos.
Apesar da motivação política, o governo brasileiro participou ativamente nas investigações pelos canais diretos de interlocução entre os governo desde a abertura do processo, em 15 de julho de 2025. Apresentou duas defesas escritas demonstrando que as políticas e práticas brasileiras investigadas são legítimas, não discriminatórias e não prejudicam o comércio dos Estados Unidos. --Mauro Vieira
A investigação da Seção 301 é vista por Brasília como uma manobra para compensar derrotas legais do governo americano na Suprema Corte sobre a aplicação de tarifas universais.
Para Vieira, as exigências de Washington buscavam uma "capitulação" brasileira, demandando a abertura total e exclusiva de setores econômicos inteiros sem oferecer contrapartidas aos produtos nacionais.
Desequilíbrio comercial e defesa do Pix
O chanceler destacou o forte desequilíbrio na balança comercial, lembrando que os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, ressaltou que, em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil com isenção de impostos, abrangendo a maioria dos principais produtos vindos dos EUA.
Vieira também rebateu pontos específicos da investigação americana:
- Pix: Classificou como "descabida" a alegação de que o sistema de pagamentos brasileiro gera competição desleal, definindo-o como uma infraestrutura pública acessível a todas as instituições;
- Meio Ambiente: Chamou de "absurdas" as acusações sobre desmatamento, citando as reduções significativas registradas na Amazônia e no Cerrado desde 2022.
As alegações e declarações de autoridades americanas sobre o PIX são descabidas. O PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo PIX. --Mauro Vieira
O ministro concluiu seu posicionamento reforçando que as alegações utilizadas para justificar as tarifas "não têm lastro na realidade", mantendo a postura de que o Brasil agiu de forma legítima e não discriminatória no comércio internacional
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