Investigações da Polícia Federal trouxeram à tona diálogos entre o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso desde março. Os investigadores apuram se houve algum tipo de contrapartida ilícita nas tratativas, o que poderia configurar crime.
O conteúdo das conversas, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pelo jornalismo da Band, mostra que Motta teria intercedido pela liberação de cerca de R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa de Bianca Medeiros, sua cunhada, em março de 2024 --período anterior à sua ascensão à presidência da Câmara.
Ao ser questionado, Hugo Motta não esclareceu se atuou diretamente para facilitar o financiamento, limitando-se a afirmar que a operação de crédito seguiu os trâmites da legalidade. Fontes próximas ao caso indicam que Bianca Medeiros já foi ouvida pela PF e confirmou que as parcelas do empréstimo estão sendo pagas regularmente.
Outras menções e caso Ciro Nogueira
O celular de Daniel Vorcaro contém ainda outras menções a Hugo Motta, incluindo o pagamento de uma viagem do parlamentar a Lisboa, realizada a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O senador, por sua vez, é alvo de um pedido de cassação no Conselho de Ética do Senado, apresentado por PSOL e REDE. Segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira teria recebido ao menos R$ 6 milhões em "mesadas" de Vorcaro entre 2024 e 2025. Para os investigadores, a relação entre os envolvidos era baseada na convergência de interesses ilícitos e obtenção mútua de vantagens.
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