
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB
Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
A Polícia Federal (PF) apresentou à defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), as linhas gerais de um possível acordo de colaboração premiada. Os investigadores querem que ele entregue nomes e datas de quem facilitou a compra do Banco Master dentro da instituição financeira – e, principalmente, se houve pressão de autoridades do governo distrital para a concretização do negócio.
O "andar de cima", como definem os próprios investigadores, é o principal alvo da PF. O escopo do acordo inclui possíveis interferências de figuras ligadas ao governo do DF, entre elas o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
A corporação quer detalhes sobre o que chama de "vista grossa" a regras básicas do sistema financeiro no processo de aquisição do banco de Daniel Vorcaro com nomes, datas e documentação que comprovem a cadeia de decisões.
Paulo Henrique Costa foi preso na semana passada no âmbito da operação da PF que apurou um esquema de propinas na negociação entre o BRB e o Master. Segundo os investigadores, apartamentos de luxo teriam sido usados como vantagem indevida no processo.
O STF determinou a prisão preventiva do ex-dirigente, que foi transferido para a Papuda após audiência de custódia. Nesta sexta-feira (24), a Segunda Turma da Suprema Corte formou maioria para manter sua prisão.
Na última quarta (24), Costa trocou de advogados de olho na delação. O movimento já era esperado pela PF porque, segundo delegados, "quando um suspeito importante anuncia que quer delator, como Daniel Vorcaro", começa uma corrida pela delação, em que os primeiros que conseguirem ganham mais benefícios".A grande diferença entre os banqueiros, segundo a PF, é o perfil de Costa. Ao contrário do dono do Master, tido como alguém com conhecimento apenas das linhas gerais do negócio, o ex-presidente do BRB é descrito pelos investigadores como "extremamente meticuloso": teria guardado documentos, mensagens, e-mails, textos e memorandos de todo o processo de compra, além de um "conhecimento invejável" dos detalhes da operação.
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