“Agora, a véspera de eleição, todos correm para dizer que estão preocupados com os trabalhadores. E apresento essa votação num grande teatro que não vai remover aquilo que são as principais dificuldades de quem vive do trabalho.”
A declaração é do ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo, em entrevista ao Jornal Gente, ao comentar a aprovação na Câmara Federal do projeto que trata do fim da escala 6x1.
A proposta, que teve ampla maioria no plenário, foi alvo de críticas do ex-parlamentar, que classificou o processo como uma “encenação política sem impacto direto nas condições estruturais da população trabalhadora”.
Segundo Rebelo, a medida não altera aspectos centrais da vida econômica dos trabalhadores, como renda e custo de vida. Ele afirmou que, embora a discussão sobre jornadas de trabalho envolva reivindicações legítimas, o debate no Congresso teria ignorado questões estruturais da economia brasileira.
O ex-ministro avaliou que o país vive um momento de dificuldades econômicas, com empresas enfrentando restrições financeiras, aumento de endividamento e redução de capacidade de investimento.
Nesse contexto, ele argumenta que decisões legislativas deveriam considerar com mais profundidade os impactos sobre a atividade produtiva e o emprego.
Durante a entrevista, Rebelo também criticou o que considera uma mudança no comportamento da atividade política no país. Para ele, o debate de ideias teria sido substituído por performances e ações voltadas à repercussão imediata em redes sociais e à construção de imagem pública.
O ex-presidente da Câmara afirmou ainda que decisões políticas passaram a priorizar disputas eleitorais e estratégias de comunicação, em detrimento de discussões estruturais sobre desenvolvimento econômico, emprego e produtividade.
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