O governo federal reagiu com preocupação à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
A principal apreensão do Palácio do Planalto é que a medida abra espaço para ações mais duras de Washington, incluindo possíveis operações em território brasileiro sob o argumento de combate ao terrorismo.
Segundo informações da reportagem da Bandeirantes em Brasília, o governo brasileiro monitorava o tema nos bastidores, mas esperava receber um aviso formal da Casa Branca antes da divulgação pública da decisão.
A expectativa existia especialmente após a recente reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descrita por auxiliares do governo como amistosa.
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, criticou a decisão americana.
Segundo ele, o combate ao crime organizado deve ocorrer com firmeza, mas sem equiparar facções criminosas a grupos terroristas.
Amorim afirmou ainda que qualquer tentativa de usar a medida como justificativa para intervenções externas seria considerada inaceitável.
Classificação passa a valer em junho
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. A partir da próxima sexta-feira, dia 5 de junho, PCC e Comando Vermelho passarão oficialmente a integrar a lista americana de organizações terroristas estrangeiras.
Segundo o governo norte-americano, as facções representam ameaça à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico internacional de drogas, armas, lavagem de dinheiro e atuação transnacional.
A nova classificação permitirá aos Estados Unidos ampliar mecanismos de sanções financeiras e investigações contra pessoas, empresas ou organizações que mantenham vínculos com os grupos criminosos.
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