O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, criticou neste sábado (12), em entrevista à Rádio Bandeirantes e à Band News TV, o anúncio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Alckmin classificou a medida como “injustificada” e afirmou que o governo federal vai atuar para reverter a decisão junto ao setor produtivo.
Segundo Alckmin, a taxação poderá afetar de forma direta a economia brasileira e, especialmente, o estado de São Paulo, que concentra grande parte do parque industrial nacional.
O político também deu seu parecer sobre as razões para Trump taxar o Brasil desta forma. “Talvez tenha feito isso por desinformação. Eu acho que podem ter maus brasileiros lá nos Estados Unidos trabalhando contra o interesse do Brasil, porque, no fundo, prejudica a empresa, prejudica a economia, prejudica o emprego”, disse.
Conversas com Hugo Motta e Embraer
Alckmin relatou que conversou por telefone com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para tratar do tema e disse que o governo pretende reunir os setores impactados para discutir estratégias.
“Nós vamos nos reunir com os setores mais envolvidos com o comércio Brasil-Estados Unidos. O setor aeronáutico, especialmente a Embraer, o setor siderúrgico, o setor de máquinas, agrícola, celulose, carnes, café, suco de laranja. Nós temos muito o que conversar”, afirmou.
Durante a entrevista, o vice-presidente destacou que esteve reunido recentemente com a direção da Embraer, empresa que também pode ser atingida pelo tarifaço, mas lembrou que há integração produtiva entre os dois países.
“A Embraer tem fábrica no Brasil, mas também tem fábrica nos Estados Unidos. Há muita integração econômica no mundo. Eu compro uma peça de você, monto aqui ou vice-versa. O comércio exterior aproxima os povos, estimula competitividade, ganha a sociedade”, completou.
Alfinetada em Tarcísio de Freitas
Questionado sobre a atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que criticou o governo federal pela demora em reagir ao anúncio de Trump e disse estar em contato com representantes americanos para defender a indústria paulista, Alckmin rebateu:
“Não fui procurado e lamento quando ele tenha colocado aquele ‘b.o.’ do presidente dos Estados Unidos, quando na realidade o estado de São Paulo e a economia paulista são as mais prejudicadas com esse aumento de tarifa. É sempre bom encontrar o caminho de Damasco e rever a sua posição.”
Reciprocidade como última alternativa
Durante a entrevista, Alckmin também reforçou que o Brasil defende o livre comércio e o multilateralismo, citando acordos recentes firmados pelo Mercosul.
“Acabamos de fazer acordo comercial Mercosul-União Europeia, com os 27 países mais ricos do mundo. Na semana passada, Mercosul com o EFTA – Noruega, Suíça, Liechtenstein e Islândia. Estamos em tratativa de acordos comerciais com outros países. Defendemos o livre comércio e regras para esse comércio. Para isso, tem a OMC (Organização Mundial do Comércio)”, explicou.
Alckmin ponderou que o governo trabalhará para reverter a decisão americana por meio do diálogo, mas lembrou que existe uma lei aprovada pelo Congresso que estabelece a reciprocidade tarifária em caso de medidas injustificadas de parceiros.
“Temos a lei da reciprocidade, aprovada pela Câmara e pelo Senado. Mas o caminho sempre é buscar resolver o problema. Essa é a disposição do Brasil”, disse.
Por fim, o vice-presidente destacou ainda a importância do relacionamento histórico entre os dois países.
“O maior parceiro comercial do Brasil é a China, mas os Estados Unidos compram muito manufatura, produto industrial. Nós sempre tivemos há 200 anos uma boa relação, Brasil e Estados Unidos. Nós devemos ampliar os acordos e as oportunidades de complementaridade econômica.”
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