
Trump
Jonathan Ernst/Reuters
A frágil trégua no Oriente Médio está sob intensa pressão às vésperas do início das negociações por um acordo definitivo, marcadas para amanhã no Paquistão. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Irã de descumprir sua parte no acordo de cessar-fogo ao não garantir a liberação do Estreito de Ormuz. Pelas redes sociais, Trump afirmou que o regime iraniano tem feito um "trabalho ruim", destacando que apenas seis navios cruzaram a rota nas primeiras 24 horas, um fluxo drasticamente inferior às 140 embarcações diárias de antes do conflito.
Em resposta, o Irã eleva o tom. Em um comunicado da agência estatal, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que o país "não abrirá mão de seus direitos" e que a gestão do Estreito de Ormuz entrará em uma "nova fase", sem detalhar as mudanças. Khamenei também adiantou que exigirá compensações pelos danos causados por ataques de Israel e dos Estados Unidos.
Nesse tabuleiro complexo, o Líbano se tornou uma peça central. O regime iraniano pressiona para que o país vizinho seja incluído no acordo de trégua. A pressão alcançou Washington, levando Trump a fazer um pedido direto ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para que cessasse os bombardeios contra alvos libaneses, a fim de não comprometer as negociações com Teerã.
O embaixador do Brasil em Teerã, André Guimarães Veras, avalia que a ameaça de um inimigo externo acabou por unir a população iraniana em torno de seu governo. Já o professor de Relações Internacionais, Sidney Leite, acredita que Netanyahu usou os ataques como uma manobra oportunista para se manter no poder, comprometendo qualquer chance de estabilização na região.
Enquanto a diplomacia atua, a situação humanitária no Líbano é catastrófica. Equipes de resgate buscam sobreviventes nos escombros em Beirute, onde bombardeios recentes deixaram ao menos 300 mortos e mais de 1.150 feridos. A ofensiva israelense já deslocou mais de um milhão de pessoas. O sistema de saúde entrou em colapso, e a OMS pede a Israel que suspenda avisos de evacuação que afetam hospitais. Segundo a Unicef, cerca de 600 crianças libanesas foram mortas desde março. Apesar das recomendações para negociar, novos ataques israelenses foram registrados hoje, levando o presidente libanês a exigir uma trégua imediata como condição para qualquer conversa.
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