O fim do Carnaval marca também o pico de casos de ressaca nos prontos-atendimentos. Médico explica o que realmente funciona para aliviar os sintomas e o que pode piorar o quadro após dias de consumo excessivo de álcool.
Após a maratona de blocos, festas e desfiles, muitos foliões ainda enfrentam os efeitos do exagero. Segundo o médico emergencista Felipe Lígia, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a alta procura por atendimento logo depois da folia é reflexo direto do consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
De acordo com o especialista, não existem soluções milagrosas para a ressaca. A recuperação depende principalmente do tempo de metabolização do álcool pelo organismo e de cuidados básicos como hidratação adequada e descanso.
Hidratação é a base da recuperação
O álcool interfere no funcionamento dos rins e aumenta a eliminação de líquidos, provocando desidratação, uma das principais causas da dor de cabeça, fadiga e mal-estar típicos da ressaca.
Por isso, a reposição de líquidos é o pilar do tratamento. A recomendação é ingerir entre 2,5 e 3 litros de líquidos ao longo do dia, incluindo água, chás e sucos naturais. A prática popular de procurar hospitais para tomar “soro na veia”, porém, nem sempre é indicada.
Segundo o médico, a hidratação intravenosa deve ser reservada para casos específicos, como vômitos persistentes ou sinais importantes de desidratação. Para a maioria das pessoas, a hidratação oral é suficiente e mais segura.
Cuidado com remédios e alimentação
A dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns da ressaca, mas nem todo analgésico é recomendado. O especialista alerta para evitar o paracetamol após o consumo excessivo de álcool, já que ambos são metabolizados no fígado, o que pode aumentar o risco de toxicidade hepática.
A dipirona costuma ser a opção mais indicada, além de medicamentos específicos para náuseas ou desconforto gastrointestinal, quando necessário.
Na alimentação, a orientação é priorizar comidas leves e de fácil digestão. Alimentos gordurosos, muito condimentados ou ultraprocessados podem sobrecarregar o sistema digestivo, que já está sensível após o consumo de álcool.
A ideia de que uma refeição pesada “absorve” o álcool é um mito comum e pode piorar o mal-estar.
O tempo do corpo precisa ser respeitado
Outro erro frequente é tentar acelerar a recuperação com excesso de café ou fórmulas caseiras. O processo de eliminação do álcool é biológico e costuma levar entre 12 e 24 horas, dependendo da quantidade ingerida e das características individuais.
Os três pilares da recuperação são simples:
- Paciência: o fígado precisa de tempo para metabolizar o álcool
- Repouso: o corpo precisa de energia para se recuperar
- Leveza: alimentação simples facilita a digestão e reduz o desconforto
Alerta para aumento de intoxicações entre adolescentes
Durante o Carnaval, as equipes de emergência também observam crescimento nos atendimentos de adolescentes com intoxicação alcoólica e, em alguns casos, por outras substâncias ilícitas.
Segundo o médico, trata-se de um problema recorrente e preocupante do ponto de vista de saúde pública, que se repete todos os anos durante o período festivo.
A receita final: descanso e hidratação
Para quem precisa retomar a rotina após o feriado, a orientação é simples: hidratar, descansar e evitar excessos enquanto o corpo se recupera.
É o momento de 6, 12, 24 horas de descanso, sombra e água fresca para voltar às atividades da melhor forma possível. Felipe Lígia

