Saúde

Cirurgia metabólica: saiba mais sobre o procedimento para tratar diabetes

Apesar de utilizar técnicas semelhantes a da bariátrica, o procedimento têm objetivos diferentes como: controlar a diabetes tipo 2

Da redação
DA REDAÇÃO

25/06/2026 • 10:34 • Atualizado em 25/06/2026 • 10:34

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A cirurgia metabólica tem ganhado destaque nos últimos anos como uma alternativa eficaz para o tratamento do diabetes tipo 2 e de outras doenças associadas ao metabolismo. Embora muitas pessoas a confundam com a cirurgia bariátrica, especialistas explicam que, apesar de utilizarem técnicas cirúrgicas semelhantes, os procedimentos possuem finalidades diferentes.

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Enquanto a cirurgia bariátrica tem como principal objetivo promover a perda significativa de peso em pacientes com obesidade, a cirurgia metabólica é indicada para melhorar o controle de doenças metabólicas, especialmente o diabetes tipo 2, mesmo em pacientes que não apresentam obesidade grave.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), os procedimentos utilizados em ambas as cirurgias podem ser os mesmos, como o bypass gástrico e a gastrectomia vertical, conhecida popularmente como sleeve. A principal diferença está na indicação clínica e no resultado terapêutico esperado.

O que é a cirurgia metabólica?

A cirurgia metabólica é um procedimento realizado no aparelho digestivo com o objetivo de corrigir alterações hormonais e metabólicas que contribuem para doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemias e síndrome metabólica.

Ao modificar o trajeto dos alimentos no sistema digestivo, a cirurgia provoca mudanças hormonais capazes de melhorar o controle da glicose no sangue, aumentar a sensibilidade à insulina e reduzir a produção de hormônios relacionados ao apetite.

Em muitos casos, os efeitos sobre o diabetes podem ser observados poucos dias após a cirurgia, antes mesmo de uma perda de peso significativa.

Como a cirurgia age no organismo?

Além da redução da ingestão alimentar, o procedimento altera a produção de hormônios intestinais responsáveis pelo metabolismo da glicose e pela sensação de saciedade.

Essas mudanças favorecem:

  • Melhor controle dos níveis de açúcar no sangue;
  • Redução da resistência à insulina;
  • Diminuição da necessidade de medicamentos para diabetes;
  • Controle da pressão arterial;
  • Melhora dos níveis de colesterol e triglicerídeos;
  • Redução do risco cardiovascular.

As cirurgias costumam ser realizadas por videolaparoscopia ou por técnica robótica, métodos considerados minimamente invasivos e que proporcionam recuperação mais rápida.

Quem pode fazer a cirurgia metabólica?

As diretrizes brasileiras estabelecem critérios específicos para a indicação do procedimento.

De forma geral, a cirurgia metabólica é indicada para pacientes que:

  • Possuem diabetes tipo 2;
  • Têm índice de massa corporal (IMC) acima de 30 kg/m²;
  • Foram diagnosticados com diabetes há menos de 10 anos;
  • Não conseguiram controlar adequadamente a doença com medicamentos, alimentação e mudanças no estilo de vida por pelo menos dois anos.

A avaliação é individualizada e envolve uma equipe multidisciplinar formada por endocrinologistas, cirurgiões, nutricionistas e psicólogos.

Qual a diferença entre cirurgia metabólica e bariátrica?

Embora frequentemente sejam tratadas como sinônimos, existem diferenças importantes entre os procedimentos.

Cirurgia bariátrica

  • Objetivo principal: perda de peso;
  • Indicada principalmente para obesidade grau II e III;
  • Busca reduzir os riscos associados ao excesso de peso;
  • O controle de doenças como diabetes e hipertensão ocorre como benefício adicional.

Cirurgia metabólica

  • Objetivo principal: tratamento de doenças metabólicas;
  • Indicada especialmente para pacientes com diabetes tipo 2 descontrolado;
  • Pode ser realizada em pacientes com IMC entre 30 e 35 kg/m²;

A perda de peso é uma consequência positiva, mas não o foco principal do tratamento.

Especialistas explicam que, na prática, o procedimento cirúrgico pode ser exatamente o mesmo. O que muda é a razão pela qual ele está sendo realizado.

Quais são os benefícios?

Estudos nacionais e internacionais mostram que a cirurgia metabólica pode proporcionar remissão parcial ou total do diabetes tipo 2 em parte dos pacientes, além de reduzir complicações associadas à doença.

Entre os principais benefícios estão:

  • Melhor controle glicêmico;
  • Redução ou suspensão do uso de medicamentos;
  • Menor risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
  • Controle da hipertensão arterial;
  • Melhora da qualidade de vida;
  • Redução da mortalidade relacionada a doenças cardiovasculares.

A cirurgia substitui o tratamento clínico?

Não. Médicos alertam que a cirurgia metabólica não representa uma cura definitiva e não elimina a necessidade de acompanhamento médico contínuo.

Após o procedimento, o paciente deve manter hábitos saudáveis, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento periódico com especialistas.

O sucesso a longo prazo depende da combinação entre os efeitos da cirurgia e as mudanças no estilo de vida.

Crescimento da cirurgia metabólica

Com o aumento dos casos de diabetes tipo 2 e obesidade no Brasil e no mundo, a cirurgia metabólica vem sendo cada vez mais estudada e reconhecida como uma ferramenta importante no tratamento dessas condições.

Entidades médicas nacionais e internacionais já consideram o procedimento uma opção terapêutica para pacientes que não conseguem controlar adequadamente o diabetes apenas com medicamentos e mudanças comportamentais.

Dessa forma, a cirurgia metabólica surge como uma estratégia complementar ao tratamento tradicional, oferecendo uma nova perspectiva para pacientes que enfrentam dificuldades no controle das doenças metabólicas e buscam reduzir os riscos de complicações futuras.

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