
Reprodução/TV Band
Resumo
Estudo do Instituto Cordial e Novo Nordisk estima que a obesidade gera custos entre R$ 41,7 bilhões e R$ 44,6 bilhões por ano aos cofres públicos, podendo chegar a R$ 60,5 bilhões até 2033, impactando cerca de 2% do PIB e 27% das despesas do Ministério da Educação em 2023.
Análise aponta que os principais custos envolvem gastos com saúde, benefícios por invalidez, perda de arrecadação tributária e mais de 240 mil aposentadorias vinculadas ao sobrepeso, além de subnotificação que dificulta mensuração real e eleva o impacto fiscal e social.
Levantamento destaca que mulheres são mais afetadas no mercado de trabalho, com salários até 15% menores, e especialistas defendem políticas públicas estruturadas para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, visando economia fiscal e maior eficiência do sistema de saúde.
A obesidade já representa um dos maiores desafios de saúde pública e de impacto fiscal no Brasil. Um novo estudo do Instituto Cordial, em parceria com a Novo Nordisk, estima que os custos atribuíveis à doença podem variar entre R$ 41,7 bilhões e R$ 44,6 bilhões por ano aos cofres públicos — valor que pode alcançar R$ 60,5 bilhões até 2033 caso o cenário atual não seja revertido.
A análise utilizou um modelo fiscal internacional aplicado pela primeira vez ao contexto brasileiro e considerou dados de saúde, trabalho e arrecadação. O impacto equivale a cerca de 2% do PIB do país e a aproximadamente 27% de todas as despesas do Ministério da Educação em 2023.
Segundo o estudo, os principais componentes desse custo incluem R$ 29,56 bilhões em gastos de saúde, R$ 6,05 bilhões em benefícios por invalidez e R$ 9,94 bilhões em perda de arrecadação tributária — somando impostos diretos e indiretos. A pesquisa também aponta que mais de 240 mil aposentadorias no Brasil estão associadas ao sobrepeso e à obesidade.
A condição é classificada como doença crônica pela comunidade médica e está associada a uma série de complicações metabólicas e cardiovasculares. A Obesity também pressiona diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS), onde os custos diretos já ultrapassam R$ 1,89 bilhão por ano, sendo R$ 911,6 milhões com internações e R$ 983,8 milhões com medicamentos.
Além disso, cada 1% de redução na prevalência da obesidade poderia gerar uma economia estimada de R$ 444,6 milhões anuais aos cofres públicos, além de ganhos em produtividade e arrecadação.
SUS sobrecarregado e subnotificação
O estudo destaca ainda que o impacto pode ser ainda maior devido à subnotificação nos sistemas públicos de saúde, já que muitos registros não incluem corretamente o diagnóstico de obesidade. Isso dificulta a mensuração real dos custos, que são frequentemente associados a doenças correlatas, como diabetes e hipertensão.
Pesquisas anteriores citadas pelo instituto indicam que, em 2022, o Brasil gastou cerca de US$ 654 milhões com doenças relacionadas ao excesso de peso. Além disso, cada ponto adicional no IMC médio da população representa um custo extra de R$ 387,3 milhões ao SUS por ano.
Mulheres são mais afetadas no mercado de trabalho
O levantamento também chama atenção para os impactos sociais e econômicos da obesidade no mercado de trabalho, especialmente entre as mulheres. Segundo os dados, mulheres com obesidade enfrentam maior dificuldade de inserção profissional e podem receber salários entre 4% e 9% menores.
A diferença salarial pode chegar a até 15% em determinados recortes, reforçando desigualdades estruturais e ampliando a vulnerabilidade econômica desse grupo.
Especialistas defendem políticas públicas estruturadas
Para os autores do estudo, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas mais amplas e integradas, com foco em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.
“O custo da inação é alto para os pacientes, para a sociedade e para o Estado”, afirma Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Novo Nordisk no Brasil.
O diretor de operações do Instituto Cordial, Luís Fernando Villaça Meyer, destaca que investir em prevenção pode gerar economia fiscal e melhorar a eficiência do sistema de saúde.
“Investir agora em prevenção e tratamento não é apenas uma questão de saúde — é uma estratégia inteligente de gestão fiscal”, afirmou.

