Saúde

Drama na Seleção: entenda a lesão muscular que tirou Wesley do Mundial

Atleta da Roma sofreu ruptura no músculo adutor da coxa esquerda em amistoso e está fora dos jogos da Copa do Mundo; veja como um músculo pode ficar lesionado e os graus do problema

Da redação
DA REDAÇÃO

07/06/2026 • 14:27 • Atualizado em 07/06/2026 • 14:52

Wesley foi cortado da Copa do Mundo

Wesley foi cortado da Copa do Mundo

Rafael Ribeiro/CBF

A Seleção Brasileira sofreu um duro golpe na preparação final para a Copa do Mundo. O lateral-direito Wesley, de 22 anos, que vinha se destacando no Roma e despontava como forte candidato à titularidade no esquema do técnico Carlo Ancelotti, foi oficialmente cortado da delegação neste domingo (7). O exame de ressonância magnética confirmou uma lesão muscular no adutor da coxa esquerda, sofrida durante o amistoso de sábado contra o Egito, em Cleveland, nos Estados Unidos.

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O lance ocorreu aos 16 minutos do primeiro tempo, logo após o jogador efetuar um cruzamento na linha de fundo. Wesley sentiu a fisgada imediatamente, levou a mão à parte interna da coxa e foi ao chão. Substituído pelo experiente Danilo, o jovem defensor deixou o gramado chorando muito no banco de reservas, um reflexo claro do diagnóstico que viria a se confirmar horas depois. Para o seu lugar, a comissão técnica convocou o volante Éderson, da Atalanta.

O zagueiro da Argentina, Leonardo Balerdi, de 27 anos, também foi cortado da Copa do Mundo pelo mesmo problema, a lesão muscular. Neymar também sofre com o problema e deve ficar até três semanas até se recuperar de uma lesão no músculo.

Como acontece a lesão no adutor da coxa?

Os músculos adutores estão localizados na região interna da coxa e têm como principal função estabilizar o quadril e realizar o movimento de aproximação das pernas (fechar as pernas). No futebol moderno, essa musculatura é submetida a níveis extremos de estresse físico.

A lesão adutora — comumente chamada de estiramento ou distensão — ocorre quando as fibras musculares são esticadas além de seu limite fisiológico ou quando sofrem uma contração excêntrica abrupta (o músculo tenta se contrair enquanto está sendo alongado rapidamente). No caso específico de Wesley, o movimento mecânico do cruzamento na linha de fundo exige uma desaceleração violenta da perna e grande abertura angular do quadril, combinação perfeita para o surgimento do estiramento.

Outros mecanismos extremamente comuns no esporte incluem:

Mudanças bruscas de direção: Desacelerar e mudar de rumo rapidamente exige muito dos adutores para estabilizar o corpo.

Chutes potentes: O esforço muscular para acelerar a perna em direção à bola.

Abertura excessiva (esticar a perna): Tentar alcançar uma bola dando um carrinho defensivo, por exemplo.

Em nota, a CBF afirmou que lamenta o ocorrido. "A ressonância magnética constatou lesão muscular no músculo adutor da coxa esquerda. A CBF lamenta a lesão. Wesley é um atleta querido pelo grupo e será sempre considerado parte desta equipe que busca o hexacampeonato mundial."

Os graus da lesão e o tempo de cura

A gravidade de uma lesão no adutor é determinada pelo percentual de fibras musculares rompidas. A medicina esportiva divide o problema em três níveis distintos, que ditam diretamente o tempo de afastamento do atleta:

Considerando que a estreia do Brasil na Copa do Mundo está marcada para o dia 13 de junho contra o Marrocos, mesmo um diagnóstico de Grau 2 inviabilizaria a permanência do lateral na competição. O tempo de cicatrização do tecido muscular não pode ser acelerado além dos limites biológicos sem colocar em risco o futuro da carreira do jogador da Roma.

Existe tratamento? Como funciona a reabilitação?

Na imensa maioria dos casos em atletas de alto rendimento, o tratamento adotado é o conservador, sem a necessidade de intervenção cirúrgica. O protocolo baseia-se em três fases bem estruturadas pela fisioterapia esportiva:

Fase Aguda (Controle de Sintomas): Nos primeiros dias após o corte, o foco total é a redução do processo inflamatório, do edema e da dor. Utiliza-se repouso relativo, crioterapia (aplicação de gelo) e compressão local.

Fase de Regeneração (Fisioterapia Ativa): Conforme a dor regride, iniciam-se terapias de mobilidade e exercícios isométricos leves (sem movimento articular). O objetivo é orientar a formação do novo tecido cicatricial de maneira organizada, evitando a fibrose — cicatrizes rígidas que diminuem a elasticidade do músculo e provocam novas lesões no futuro.

Fase de Transição e Gestos Esportivos: A etapa final envolve o fortalecimento excêntrico dos adutores, associado ao equilíbrio muscular com o abdômen e os glúteos (estabilização do core). O atleta só retorna aos gramados após passar por testes de carga de alta intensidade e reproduzir fielmente os movimentos de corrida, saltos e chutes sem qualquer queixa.

A cirurgia fica estritamente restrita aos raros casos de lesões de Grau 3 com descolamento completo do tendão da sua inserção óssea, o que afastaria o jogador dos campos por até um semestre.