Saúde

Casos de picada de escorpião disparam 349% no Brasil; veja regiões críticas

Pesquisa analisou dados dos 5.570 municípios brasileiros entre 2012 e 2024; fatores sociodemográficos, ambientais e climáticos estão associados às áreas de alto risco

Da redação
DA REDAÇÃO

07/06/2026 • 10:21 • Atualizado em 07/06/2026 • 10:21

Risco de acidente por escorpião aumentou 349% no Brasil nos últimos 12 anos

Risco de acidente por escorpião aumentou 349% no Brasil nos últimos 12 anos

Divulgação/Governo de SP

O Brasil enfrenta um avanço alarmante nos acidentes com escorpiões. Um estudo publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases acendeu o sinal vermelho ao revelar que a taxa nacional de incidência de escorpionismo deu um salto impressionante: passou de 31 para 142 casos por 100.000 habitantes, representando um aumento de 349%.

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A análise detalhada avaliou dados de todos os 5.570 municípios brasileiros e contabilizou mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes. O levantamento foi elaborado por especialistas do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

O objetivo do mapeamento é direcionar de forma mais eficiente a distribuição dos soros antiescorpiônicos para o tratamento dos casos graves.

O eixo crítico: Bahia, Minas Gerais e São Paulo

As regiões Nordeste e Sudeste são os principais focos do problema, concentrando 87% do total de casos registrados no país. O perigo se divide por estados da seguinte forma:

São Paulo: O noroeste paulista é a área mais preocupante do estado. O clima quente e a urbanização acelerada propiciam o ambiente perfeito para o Tityus serrulatus (escorpião-amarelo), espécie mais perigosa e principal causadora de acidentes no país.

Minas Gerais: Destaca-se pelo alto volume de registros e pelo número elevado de óbitos, com atenção especial para a porção norte mineira. No país, a maioria das mortes ocorre em crianças de 0 a 9 anos.

Bahia e Nordeste: A região é historicamente afetada pelo Tityus stigmurus (escorpião-do-nordeste). A Bahia lidera o risco na região, com forte tendência de alta no norte e sul do estado. Estados como Alagoas também preocupam, superando 270 casos por 100.000 habitantes — com as mulheres sendo as principais vítimas (59% dos acidentes).

Embora os números registrados na Amazônia sejam menores, os cientistas alertam para o risco de subnotificação e para a demora no atendimento médico em áreas ribeirinhas, que pode levar dias. Além disso, o Tityus obscurus (escorpião-preto-da-Amazônia) causa sintomas clínicos diferentes dos habituais.

Por que os escorpiões estão se espalhando tanto?

Os pesquisadores identificaram que as áreas de alto risco compartilham características claras: temperaturas mais elevadas, menor volume de chuvas, menor cobertura vegetal e menores índices de alfabetização.

Além do fator climático e social, o grande trunfo desses animais é a alta capacidade adaptativa. Espécies como o escorpião-amarelo e o escorpião-do-nordeste são partenogenéticas, o que significa que as fêmeas se reproduzem sozinhas, sem precisar de acasalamento. Um único escorpião transportado em uma caixa de mudança, por exemplo, pode infestar um bairro inteiro rapidamente.

O estudo também aponta para um comportamento sazonal: os meses entre setembro e dezembro (durante a primavera) concentram o maior risco de ocorrências no país.

Como prevenir o aparecimento e o que fazer em caso de picada

Os escorpiões se adaptam facilmente às cidades ocupando redes de esgoto, frestas, entulhos e locais com fartura de baratas — seu alimento favorito.

Medidas de prevenção dentro de casa:

Evite o acúmulo de lixo, entulhos, materiais de construção e folhas secas no quintal.

Mantenha o lixo doméstico sempre fechado para evitar baratas.

Não deixe roupas sujas ou molhadas espalhadas pelo chão.

Atente-se a sapatos e roupas antes de vesti-los (balance-os bem).

Sofri uma picada, e agora?

A picada do escorpião causa dor imediata e muito intensa. Em caso de acidente, siga o protocolo de emergência:

Lave o local imediatamente com água corrente e sabão neutro.

Aplique uma compressa morna na região para ajudar a aliviar a dor.

Busque atendimento médico imediato. O tempo é precioso, principalmente para crianças de até 9 anos, que podem piorar rapidamente.

A maioria dos casos é considerada leve e tratada com analgésicos para conter a dor. Os casos graves dependem da aplicação do soro antiescorpiônico ou antiaracnídico, produzidos pelo Instituto Butantan.

Na cidade de São Paulo, o Hospital Vital Brazil (localizado dentro do Parque da Ciência do Butantan) é referência absoluta e especializado no atendimento a vítimas de animais peçonhentos. Se você estiver em outra região ou estado, procure a unidade de saúde ou pronto-socorro mais próximo para receber a orientação e o soro adequado.

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