
Risco de acidente por escorpião aumentou 349% no Brasil nos últimos 12 anos
Divulgação/Governo de SP
O Brasil enfrenta um avanço alarmante nos acidentes com escorpiões. Um estudo publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases acendeu o sinal vermelho ao revelar que a taxa nacional de incidência de escorpionismo deu um salto impressionante: passou de 31 para 142 casos por 100.000 habitantes, representando um aumento de 349%.
A análise detalhada avaliou dados de todos os 5.570 municípios brasileiros e contabilizou mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes. O levantamento foi elaborado por especialistas do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
O objetivo do mapeamento é direcionar de forma mais eficiente a distribuição dos soros antiescorpiônicos para o tratamento dos casos graves.
O eixo crítico: Bahia, Minas Gerais e São Paulo
As regiões Nordeste e Sudeste são os principais focos do problema, concentrando 87% do total de casos registrados no país. O perigo se divide por estados da seguinte forma:
São Paulo: O noroeste paulista é a área mais preocupante do estado. O clima quente e a urbanização acelerada propiciam o ambiente perfeito para o Tityus serrulatus (escorpião-amarelo), espécie mais perigosa e principal causadora de acidentes no país.
Minas Gerais: Destaca-se pelo alto volume de registros e pelo número elevado de óbitos, com atenção especial para a porção norte mineira. No país, a maioria das mortes ocorre em crianças de 0 a 9 anos.
Bahia e Nordeste: A região é historicamente afetada pelo Tityus stigmurus (escorpião-do-nordeste). A Bahia lidera o risco na região, com forte tendência de alta no norte e sul do estado. Estados como Alagoas também preocupam, superando 270 casos por 100.000 habitantes — com as mulheres sendo as principais vítimas (59% dos acidentes).
Embora os números registrados na Amazônia sejam menores, os cientistas alertam para o risco de subnotificação e para a demora no atendimento médico em áreas ribeirinhas, que pode levar dias. Além disso, o Tityus obscurus (escorpião-preto-da-Amazônia) causa sintomas clínicos diferentes dos habituais.
Por que os escorpiões estão se espalhando tanto?
Os pesquisadores identificaram que as áreas de alto risco compartilham características claras: temperaturas mais elevadas, menor volume de chuvas, menor cobertura vegetal e menores índices de alfabetização.
Além do fator climático e social, o grande trunfo desses animais é a alta capacidade adaptativa. Espécies como o escorpião-amarelo e o escorpião-do-nordeste são partenogenéticas, o que significa que as fêmeas se reproduzem sozinhas, sem precisar de acasalamento. Um único escorpião transportado em uma caixa de mudança, por exemplo, pode infestar um bairro inteiro rapidamente.
O estudo também aponta para um comportamento sazonal: os meses entre setembro e dezembro (durante a primavera) concentram o maior risco de ocorrências no país.
Como prevenir o aparecimento e o que fazer em caso de picada
Os escorpiões se adaptam facilmente às cidades ocupando redes de esgoto, frestas, entulhos e locais com fartura de baratas — seu alimento favorito.
Medidas de prevenção dentro de casa:
Evite o acúmulo de lixo, entulhos, materiais de construção e folhas secas no quintal.
Mantenha o lixo doméstico sempre fechado para evitar baratas.
Não deixe roupas sujas ou molhadas espalhadas pelo chão.
Atente-se a sapatos e roupas antes de vesti-los (balance-os bem).
Sofri uma picada, e agora?
A picada do escorpião causa dor imediata e muito intensa. Em caso de acidente, siga o protocolo de emergência:
Lave o local imediatamente com água corrente e sabão neutro.
Aplique uma compressa morna na região para ajudar a aliviar a dor.
Busque atendimento médico imediato. O tempo é precioso, principalmente para crianças de até 9 anos, que podem piorar rapidamente.
A maioria dos casos é considerada leve e tratada com analgésicos para conter a dor. Os casos graves dependem da aplicação do soro antiescorpiônico ou antiaracnídico, produzidos pelo Instituto Butantan.
Na cidade de São Paulo, o Hospital Vital Brazil (localizado dentro do Parque da Ciência do Butantan) é referência absoluta e especializado no atendimento a vítimas de animais peçonhentos. Se você estiver em outra região ou estado, procure a unidade de saúde ou pronto-socorro mais próximo para receber a orientação e o soro adequado.

