
Ece İrtem
Reprodução/Instagram/irtemece
A possível relação entre a morte da atriz turca Ece Irtem, de 35 anos, e uma mordida de macaco durante uma viagem à Tailândia acendeu o alerta sobre os riscos envolvendo o contato com primatas silvestres. Embora a causa da morte ainda esteja sendo investigada pelas autoridades da Turquia, especialistas e órgãos de saúde reforçam que acidentes com macacos devem ser tratados como urgência médica.
Segundo informações divulgadas pela imprensa turca, cicatrizes compatíveis com mordidas de macaco foram identificadas no corpo da atriz durante os procedimentos de investigação. O advogado da artista solicitou que a possibilidade de infecção decorrente do ataque fosse considerada na autópsia.
No Brasil, o Ministério da Saúde orienta que toda mordida, arranhão ou até mesmo lambedura de ferimentos por animais silvestres, incluindo macacos e saguis, exige avaliação médica imediata devido ao risco de transmissão da raiva humana.
Raiva tem letalidade próxima de 100%
A principal preocupação em casos de mordidas de primatas é a transmissão do vírus da raiva. A doença afeta o sistema nervoso central e, após o surgimento dos sintomas, apresenta letalidade próxima de 100%.
De acordo com o Ministério da Saúde, macacos, saguis, morcegos e outros mamíferos silvestres são considerados animais de risco para transmissão da doença. Por isso, diferentemente do que ocorre em alguns acidentes com cães e gatos saudáveis, não é recomendada a simples observação do animal.
O protocolo oficial prevê que acidentes envolvendo mamíferos silvestres devem receber profilaxia antirrábica, com aplicação de vacina e, em determinadas situações, soro antirrábico.
O que fazer após uma mordida de macaco?
As orientações do Ministério da Saúde são claras:
- Lavar imediatamente o ferimento com água corrente e sabão em abundância;
- Manter a lavagem por cerca de 15 minutos;
- Procurar atendimento médico o mais rápido possível;
- Não tentar tratar o ferimento apenas em casa;
- Seguir rigorosamente o esquema de vacinação ou aplicação de soro indicado pela equipe de saúde.
O fluxograma oficial do Ministério da Saúde determina que, em casos de acidentes com mamíferos silvestres, como macacos e saguis, o ferimento deve ser lavado imediatamente e o paciente deve receber avaliação para profilaxia antirrábica.
Outros riscos além da raiva
Além da raiva, especialistas alertam para a possibilidade de transmissão de outras infecções graves por meio de mordidas de primatas.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) destaca que macacos podem transmitir diferentes agentes infecciosos. Entre eles está o Herpesvírus B, conhecido internacionalmente por causar complicações neurológicas graves em seres humanos, embora os registros sejam raros.
Ferimentos causados por mordidas também podem evoluir para infecções bacterianas severas caso não sejam tratados adequadamente.
Interação com animais silvestres deve ser evitada
Autoridades de saúde e especialistas em zoonoses reforçam que alimentar, tocar ou tentar interagir com macacos em áreas turísticas, parques ou regiões de mata aumenta significativamente o risco de acidentes.
A recomendação é manter distância dos animais silvestres e jamais oferecer alimentos, prática que altera o comportamento natural dos primatas e aumenta a probabilidade de ataques.
Enquanto a morte de Ece Irtem segue sob investigação, o caso chama atenção para um alerta importante: qualquer mordida de macaco deve ser considerada uma emergência médica, já que doenças potencialmente fatais podem ser transmitidas mesmo quando o ferimento parece pequeno.

