
Vacinação
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Os Estados Unidos retiraram, na segunda-feira (5 de janeiro de 2026), a recomendação universal de vacinação infantil contra a gripe, rotavírus, doença meningocócica e hepatite A,. A medida foi aprovada pelo diretor interino do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), Jim O'Neill, e reflete uma diretriz do governo de Donald Trump para alinhar o calendário vacinal norte-americano ao de outras nações desenvolvidas, cumprindo objetivos do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr..
Mudança no processo e decisão clínica partilhada
Ao contrário do processo habitual, que envolve um painel externo de especialistas, esta decisão baseou-se numa análise de protocolos de 20 países desenvolvidos realizada por funcionários do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS),. A partir de agora, a vacinação para estas quatro doenças deixa de ser uma recomendação geral para todas as crianças e passa a ser tratada como uma "tomada de decisão clínica partilhada", na qual os pais devem consultar profissionais de saúde para avaliar a necessidade da imunização.
Comparação com outros sistemas de saúde
A análise que motivou a mudança, conduzida por Martin Kulldorf e Tracy Beth Hoeg, apontou que o nível de risco varia conforme a doença e a criança. O relatório do HHS destacou que:
• A vacina contra a gripe é recomendada universalmente em apenas quatro dos 20 países analisados.
• A vacina contra a hepatite A é universal apenas na Grécia.
• As vacinas contra rotavírus e doença meningocócica são recomendadas em 17 e 16 países, respetivamente.
No entanto, o presidente da Academia Americana de Pediatria, Sean O'Leary, alertou que os Estados Unidos dependem de um sistema de saúde privado, ao contrário da maioria dos países analisados, que possuem sistemas universais pagos pelo governo. Segundo O'Leary, as decisões sobre o calendário de vacinação deveriam basear-se em evidências científicas e não apenas em comparações que ignoram as diferenças entre os sistemas de saúde.
O que permanece no calendário
Apesar das alterações, o CDC mantém a recomendação de imunização para 11 doenças, incluindo sarampo, caxumba e varicela. Outra mudança significativa foi a redução da dose da vacina contra o papilomavírus humano (HPV), que agora passa a ser de apenas uma dose em vez de duas. O HHS garantiu que as seguradoras de saúde continuarão a cobrir os custos destas vacinas, independentemente da nova categorização.

