Saúde

Excesso de gases não é normal e pode indicar problemas de saúde

Flatulência excessiva pode causar distensão abdominal, desconforto e dores fortes no abdômen e/ou no tórax

Da redação
DA REDAÇÃO

16/04/2026 • 12:14 • Atualizado em 16/04/2026 • 12:14

Gases podem indicar problemas sérios

Gases podem indicar problemas sérios

Pexel

O acúmulo de ar no sistema digestivo é um processo fisiológico comum. Liberados pelo ânus (flatos) ou pela boca (eructação), os gases resultam da fermentação de alimentos durante a digestão. Embora, na maioria das vezes, não sejam motivo de preocupação, o excesso e a presença de dores específicas podem acender um alerta para questões de saúde mais complexas.

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A percepção de que algo não vai bem surge quando os gases vêm acompanhados de sintomas que impactam a rotina. Quadros que exigem atenção especializada incluem a distensão abdominal (barriga dura e inchada); dores fortes no abdômen ou no tórax; fisgadas no peito e falta de ar; azia e mal-estar geral; dor nas costas e prisão de ventre.

De acordo com estudos da Lewis Katz School of Medicine at Temple University, quando esses sintomas persistem, o paciente pode ser orientado a realizar exames diagnósticos, como a ecoendoscopia alta, para identificar a origem exata da disfunção.

Quando buscar investigação profunda?

A investigação médica torna-se obrigatória quando os gases estão associados a sinais de gravidade, como dor abdominal prolongada ou constante; presença de sangue nas fezes; alterações súbitas na cor, textura ou frequência das evacuações; perda de peso não intencional; náuseas ou vômitos recorrentes.

Nesses cenários, o médico poderá avaliar a necessidade de uma colonoscopia. O exame auxilia no diagnóstico de doenças inflamatórias ou estruturais, exigindo uma preparação específica e cuidados pós-procedimento para garantir a segurança do paciente.

A ciência por trás dos flatos e arrotos

Aproximadamente 75% dos flatos derivam da fermentação de nutrientes e glicoproteínas por bactérias no cólon. Esse metabolismo produz gases como hidrogênio, metano e dióxido de carbono. O odor característico está diretamente ligado à concentração de sulfeto de hidrogênio.

Já os arrotos tendem a ocorrer com maior frequência logo após as refeições ou em períodos de estresse elevado.

O que causa o excesso de gases?

Em média, uma pessoa elimina entre 0,6 a 1,8 litros de gases diariamente. Homens costumam liberar entre 14 e 25 vezes por dia, enquanto mulheres ficam entre 7 e 12 vezes. Se os números ultrapassam significativamente essa média, fatores comportamentais podem estar envolvidos:

Hábitos comuns: Uso de gomas de mascar, tabagismo, falar muito durante as refeições, ingerir bebidas gaseificadas ou comer rápido demais.

Aerofagia: É a ingestão excessiva de ar, comum em profissionais que dependem muito da fala, como professores e jornalistas. “Os gases se acumulam no estômago e são eliminados por meio da eructação. Quando isso não ocorre, são transportados até o intestino delgado, onde são parcialmente absorvidos, e o restante se dirige ao intestino grosso, sendo eliminados na forma de flatos”, explica a gastroenterologista e endoscopista, Aline Casado.

Alimentação e condições médicas

Certos grupos de alimentos são naturalmente mais fermentáveis e podem potencializar a flatulência:

  • Leguminosas: Feijão, grão-de-bico e lentilha.
  • Crucíferos: Repolho, couve-flor e brócolis.
  • Lactose e açúcares: Leite, sorbitol e frutose (muito usados em produtos industrializados).
  • Amidos e fibras: Batata, cereais e trigo.

Além da dieta, condições como a síndrome do intestino irritável (SII), intolerâncias alimentares, doença celíaca e a disbiose (desequilíbrio da flora intestinal) são causas frequentes.

A médica de Saúde Familiar, Clarisse Bezerra, ressalta ainda que o uso crônico de medicamentos, como antiácidos e antibióticos, pode alterar o processo de fermentação dos microrganismos, colaborando para o aumento da produção de gases e o desconforto abdominal.

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