
Tendência de humanização de pets movimenta a economia
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Resumo
O mercado pet brasileiro registrou crescimento de 3,45% em 2025, movimentando R$ 78 bilhões, com destaque para a venda de alimentos industrializados, que representou 53,1% do faturamento, e enfrentou desafios causados por inflação, câmbio e alta tributação.
O setor é composto principalmente por pequenos e médios pet shops, que movimentaram quase metade do varejo, seguidos por clínicas veterinárias e mega stores, e no comércio eletrônico, os pet shops virtuais lideraram as vendas, apesar do crescimento digital tímido e do consumidor mais criterioso.
A produção de pet food manteve-se em cerca de 4 milhões de toneladas, refletindo dificuldades econômicas, e lideranças do setor defendem redução da carga tributária como estratégia para ampliar produção, consumo e arrecadação, destacando a necessidade de reconhecimento da essencialidade do segmento em políticas públicas.
O amor pelos "filhos de quatro patas" continua movimentando o gigantesco mercado pet no Brasil, mas o setor registrou em 2025 o seu menor crescimento desde o ano de 2019. O segmento se consolidou como um dos pilares de consumo em alta no Brasil, impulsionado pela tendência de humanização dos animais e a expansão tecnológica do varejo nesta área. No ano, o setor cresceu 3,45% em relação ao ano anterior, mas o faturamento chegou a R$ 78 bilhões.
A Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet) aponta a inflação, câmbio e desaceleração do consumo são as influências negativas. No caso do câmbio, o valor do dólar influencia no preço de ingredientes básicos de produtos como o pet food. “O setor pet segue sólido, mas os resultados de 2025 refletem os desafios econômicos e o peso da alta tributação sobre os produtos e serviços do setor”, comenta Caio Villela, CEO da Abempet.
A venda de alimentos industrializados para animais de estimação fechou 2025 com R$ 41,42 bilhões (53,1% do total do setor). Em seguida, vem a venda de animais por criadores, representando R$ 8,5 bilhões, ou 11% do faturamento do mercado. Logo depois, os produtos veterinários (pet vet) representam R$ 8,2 bilhões, ou 10,6% do total do faturamento do setor. Serviços veterinários são o quarto maior segmento em faturamento, com R$ 8,18 bilhões (10,5%).
Os pet shops pequenos e médios permanecem como quase metade de todo movimento do varejo, movimentando R$ 37,49 bilhões, de acordo com a Abempet. Em segundo lugar estão as clínicas e hospitais veterinários, que representam cerca de 17,5% do faturamento (R$ 13,64 bilhões). Completando o pódio, as cadeias de mega stores pet tem uma fatia de 9,6%, faturando R$ 7,48 bilhões.
Dentro do segmento de e-commerce, o varejo especializado mantém a frente e segue sendo o segmento que mais vende. Os pet shops virtuais representam 37,1% do faturamento, com R$ 2,34 bilhões, seguido pelas lojas virtuais das mega stores, com R$ 2,07 bilhão (32,8%) e pelas lojas virtuais de pequenos e médios pet shops, com R$ 1,27 bilhão (20,1%). “Apesar da relevância crescente do digital, este crescimento mais tímido é uma preocupação. O consumidor está mais criterioso, o que reforça a necessidade de estratégias eficientes para manter a competitividade”, declara Villela.
Toneladas de ração
A produção de pet food teve alta. Após a redução de 0,6% em relação a 2023, a alta de 0,12% faz com que a produção se mantenha na casa das 4 milhões de toneladas, mesmo com o parque industrial brasileiro tendo potencial para superar as 9 milhões. O crescimento tímido reflete as dificuldades do maior setor do mercado pet em enfrentar os desafios mencionados. “Calculamos que, para 2026, se o cenário tributário e o câmbio permanecerem como estão, fatores que atrapalham o desempenho do setor, o crescimento será igualmente tímido”, prevê o CEO da Abempet, Caio Villela.
De acordo com a Abempet, a redução da carga tributária para o setor pet seria um movimento estratégico para a economia do paós. Um tratamento tributário compatível com a essencialidade do setor poderia elevar a produção industrial para até 9 milhões de toneladas anuais, impulsionar o consumo pelas famílias brasileiras e gerar um aumento estimado de até 210% na arrecadação de tributos, considerando toda a oferta de produtos e serviços do segmento.
"O setor pet não é consumo supérfluo. O reconhecimento da sua essencialidade é uma discussão de política pública. As medidas públicas precisam ser coerentes: estimular cuidado, não encarecê-lo. 2026 é o ano do reconhecimento; 2027, o momento da revisão justa da Reforma Tributária", diz José Edson Galvão de França, presidente do Conselho Gestor da Abempet
