
México se inspira no SUS brasileiro para ampliar atendimento no país
Agência Brasil
O governo do México oficializou uma reforma histórica em seu sistema de saúde pública, buscando implementar um modelo que espelha as bases do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. O objetivo é unificar um atendimento que, por décadas, foi fragmentado e dependente do vínculo empregatício do cidadão.
O movimento ganhou força com a assinatura de acordos de cooperação entre o Ministério da Saúde brasileiro e a Secretaria de Saúde mexicana, focados em tecnologia, vigilância sanitária e, principalmente, na universalidade do acesso.
Diferente do Brasil, onde a Constituição de 1988 estabeleceu a saúde como direito universal, o México operava sob um sistema onde o atendimento de qualidade era restrito a quem contribuía com a seguridade social (via IMSS ou ISSSTE). Quem estava na informalidade dependia de estruturas com menos recursos.
Com a nova reforma, o México foca no fortalecimento do IMSS-Bienestar. A proposta é que qualquer cidadão, independentemente de sua situação trabalhista, possa utilizar a rede pública de forma gratuita e integral.
Os pilares da mudança inspirada no Brasil:
Atendimento Primário: Assim como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) brasileiras, o México está expandindo clínicas comunitárias para focar na prevenção.
Saúde da Família: Implementação do programa "Salud Casa por Casa", que leva médicos e enfermeiros às residências de idosos e pessoas com deficiência.
Prontuário Único Digital: Um sistema integrado para que o histórico do paciente possa ser acessado em qualquer estado do país, combatendo a burocracia.
Cooperação Brasil-México
A parceria entre os dois países não se limita à estrutura organizacional. O acordo prevê um intercâmbio técnico para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos de alto custo. A ideia é que, ao trabalharem juntos, os países latino-americanos ganhem escala para reduzir preços junto à indústria farmacêutica global. "O SUS é uma referência global de resiliência e alcance. Adaptar essa lógica ao México é um passo para garantir que a saúde deixe de ser um benefício e se torne, de fato, um direito", afirmam especialistas em saúde pública.
Apesar do entusiasmo, o México enfrenta desafios semelhantes aos brasileiros: o financiamento sustentável e a logística em regiões remotas. A transição para um sistema totalmente gratuito exige uma reengenharia no orçamento federal mexicano e a contratação em massa de profissionais de saúde para suprir a demanda da atenção básica.
Para o internauta brasileiro, o movimento reforça a importância do Sistema Único de Saúde como um "produto de exportação" de políticas públicas, sendo estudado e replicado por outras grandes economias da América Latina.

