Saúde

Além do tremor: entenda o que é o Parkinson e seus sinais "silenciosos"

Frequentemente associada apenas à tremedeira, a doença é complexa e pode emitir alertas no corpo anos antes do diagnóstico oficial; saiba identificar

Da redação
DA REDAÇÃO

11/01/2026 • 05:29 • Atualizado em 11/01/2026 • 05:29

Doença de Parkinson: sintomas silenciosos atrapalham o diagnóstico precoce

Doença de Parkinson: sintomas silenciosos atrapalham o diagnóstico precoce

Divulgação

Quando se fala em Doença de Parkinson, a primeira imagem que vem à mente da maioria das pessoas é o tremor nas mãos. No entanto, essa condição neurológica é muito mais complexa. Especialistas alertam que o corpo pode emitir um conjunto amplo de sinais — alguns deles silenciosos e sem relação com movimentos — muito antes de a doença ser confirmada.

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Neste sábado (10), o autor de novelas Manoel Carlos, de 92 anos, morreu em decorrência da Doença de Parkinson, no Rio de Janeiro.

Entenda o que causa o Parkinson, como ele evolui e quais são os sintomas visíveis e invisíveis.

O que acontece no cérebro?

O Parkinson é uma condição neurológica degenerativa e progressiva. A causa principal está na morte de células nervosas em uma região específica do cérebro chamada substância negra.

Essas células têm uma função vital: produzir dopamina. Este neurotransmissor atua como um "mensageiro" químico, responsável por garantir que os movimentos do corpo sejam suaves e coordenados. Sem dopamina suficiente, o cérebro perde a capacidade de comandar os músculos adequadamente, gerando os sintomas motores.

Os sintomas clássicos (motores)

Chamados de sinais "cardinais", estes são os sintomas mais visíveis. Para o diagnóstico clínico, os médicos geralmente buscam a presença de lentidão somada a pelo menos um dos outros fatores abaixo:

Lentidão (Bradicinesia): Considerado o sintoma mais incapacitante. Movimentos simples, como abotoar uma camisa, levantar-se de uma cadeira ou caminhar, passam a exigir muito mais tempo e esforço.

Tremor de Repouso: Diferente de outros tipos de tremores, este ocorre quando o membro está relaxado (parado). Geralmente começa nas mãos ou dedos — lembrando o movimento de "contar moedas" — e tende a melhorar quando a pessoa inicia uma ação intencional.

Rigidez Muscular: Sensação de corpo "travado". Os músculos ficam tensos e contraídos constantemente, o que pode causar dores e limitar a amplitude dos movimentos.

Instabilidade Postural: Perda de equilíbrio e coordenação, aumentando o risco de quedas (comum em fases mais avançadas).

O "Lado Oculto": Sinais que não envolvem movimento

Um dos pontos de maior atenção trazidos pela medicina atual são os sintomas não motores. Eles podem surgir anos antes dos primeiros tremores e servem como alerta precoce:

Perda do Olfato (Hiposmia): Dificuldade para sentir ou diferenciar cheiros.

Distúrbios do Sono: Insônia, sonolência excessiva de dia ou o ato de se mexer muito durante os sonhos (chutar ou socar enquanto dorme).

Intestino Preso (Constipação): Muito comum devido à lentidão dos músculos intestinais.

Alterações na Escrita: A letra da pessoa começa a ficar cada vez menor e mais "espremida" (micrografia).

Expressão Facial: O rosto pode perder a expressividade, parecendo uma "máscara" (piscar menos, sorrir menos), mesmo que a pessoa esteja sentindo emoções.

Mudanças de Humor: Quadros de depressão, ansiedade e apatia são frequentes.

Como a doença evolui?

Por ser uma doença progressiva, os sintomas tendem a piorar com o tempo, embora a velocidade dessa evolução varie muito de paciente para paciente.

Geralmente, o Parkinson começa de forma unilateral (afetando apenas um lado do corpo, como uma mão ou perna). Com o passar do tempo, a condição passa a afetar ambos os lados, podendo comprometer mais severamente o equilíbrio e a fala, que pode se tornar mais baixa e rouca.

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