
Doença de Parkinson: sintomas silenciosos atrapalham o diagnóstico precoce
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Quando se fala em Doença de Parkinson, a primeira imagem que vem à mente da maioria das pessoas é o tremor nas mãos. No entanto, essa condição neurológica é muito mais complexa. Especialistas alertam que o corpo pode emitir um conjunto amplo de sinais — alguns deles silenciosos e sem relação com movimentos — muito antes de a doença ser confirmada.
Neste sábado (10), o autor de novelas Manoel Carlos, de 92 anos, morreu em decorrência da Doença de Parkinson, no Rio de Janeiro.
Entenda o que causa o Parkinson, como ele evolui e quais são os sintomas visíveis e invisíveis.
O que acontece no cérebro?
Essas células têm uma função vital: produzir dopamina. Este neurotransmissor atua como um "mensageiro" químico, responsável por garantir que os movimentos do corpo sejam suaves e coordenados. Sem dopamina suficiente, o cérebro perde a capacidade de comandar os músculos adequadamente, gerando os sintomas motores.
Os sintomas clássicos (motores)
Chamados de sinais "cardinais", estes são os sintomas mais visíveis. Para o diagnóstico clínico, os médicos geralmente buscam a presença de lentidão somada a pelo menos um dos outros fatores abaixo:
Lentidão (Bradicinesia): Considerado o sintoma mais incapacitante. Movimentos simples, como abotoar uma camisa, levantar-se de uma cadeira ou caminhar, passam a exigir muito mais tempo e esforço.
Tremor de Repouso: Diferente de outros tipos de tremores, este ocorre quando o membro está relaxado (parado). Geralmente começa nas mãos ou dedos — lembrando o movimento de "contar moedas" — e tende a melhorar quando a pessoa inicia uma ação intencional.
Rigidez Muscular: Sensação de corpo "travado". Os músculos ficam tensos e contraídos constantemente, o que pode causar dores e limitar a amplitude dos movimentos.
Instabilidade Postural: Perda de equilíbrio e coordenação, aumentando o risco de quedas (comum em fases mais avançadas).
O "Lado Oculto": Sinais que não envolvem movimento
Um dos pontos de maior atenção trazidos pela medicina atual são os sintomas não motores. Eles podem surgir anos antes dos primeiros tremores e servem como alerta precoce:
Perda do Olfato (Hiposmia): Dificuldade para sentir ou diferenciar cheiros.
Distúrbios do Sono: Insônia, sonolência excessiva de dia ou o ato de se mexer muito durante os sonhos (chutar ou socar enquanto dorme).
Intestino Preso (Constipação): Muito comum devido à lentidão dos músculos intestinais.
Alterações na Escrita: A letra da pessoa começa a ficar cada vez menor e mais "espremida" (micrografia).
Expressão Facial: O rosto pode perder a expressividade, parecendo uma "máscara" (piscar menos, sorrir menos), mesmo que a pessoa esteja sentindo emoções.
Mudanças de Humor: Quadros de depressão, ansiedade e apatia são frequentes.
Como a doença evolui?
Por ser uma doença progressiva, os sintomas tendem a piorar com o tempo, embora a velocidade dessa evolução varie muito de paciente para paciente.
Geralmente, o Parkinson começa de forma unilateral (afetando apenas um lado do corpo, como uma mão ou perna). Com o passar do tempo, a condição passa a afetar ambos os lados, podendo comprometer mais severamente o equilíbrio e a fala, que pode se tornar mais baixa e rouca.

