Saúde

HPV: saiba quais são as formas de transmissão, sintomas e tratamentos

Interesse de buscas pela doença aumenta no Google após o presidente Lula sancionar lei que obriga empresas a informar e orientar funcionários sobre saúde preventiva; Sala Digital tira dúvidas

Da redação
DA REDAÇÃO

09/04/2026 • 16:58 • Atualizado em 09/04/2026 • 16:58

O que é HPV?

O que é HPV?

SES/RJ

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.377, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para obrigar empresas a informar e orientar trabalhadores sobre saúde preventiva.

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O texto aprovado na segunda-feira (6) reforça um direito importante: funcionários do setor privado podem se ausentar do trabalho até três dias por ano, sem desconto no salário, para fazer exames preventivos. A regra vale para exames relacionados ao HPV e para o rastreamento de câncer de mama, próstata e colo do útero.

Monitoramento da Sala Digital mostra que o interesse de buscas por HPV no Google atingiu, nesta quinta-feira (9), o maior nível dos últimos sete dias. A pergunta “o que é HPV?” é uma das mais buscadas na plataforma hoje.

Abaixo, tire suas dúvidas sobre as formas de transmissão e os sintomas, tratamentos e prevenção do HPV.

O que é o HPV e por que ele está ligado ao câncer

O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus que atinge a pele e as mucosas e é considerado a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Existem mais de 200 tipos de HPV: parte deles causa apenas verrugas comuns, enquanto outros estão diretamente associados ao desenvolvimento de câncer.

Os tipos de alto risco, especialmente os 16 e 18, podem provocar alterações nas células do colo do útero, do ânus, do pênis, da boca e da garganta. Quando essas mudanças não são identificadas e tratadas precocemente, podem evoluir para tumores malignos.

Sintomas e formas de transmissão

Na maior parte dos casos, a infecção pelo HPV é assintomática e pode permanecer latente por meses ou anos. Quando se manifesta, pode aparecer na forma de lesões clínicas visíveis, como verrugas na região genital, no ânus, na boca ou na garganta, conhecidas popularmente como “crista de galo”. Elas podem ser únicas ou múltiplas, geralmente indolores, mas causar coceira ou ardência.

Também existem lesões subclínicas, que atingem as mesmas áreas, mas só são detectadas por exames específicos. Em situações de maior gravidade, surgem sinais de alto risco, como alterações no colo do útero detectadas no exame de Papanicolau, sangramento vaginal anormal, dor durante a relação sexual ou dor de garganta persistente em casos de câncer de boca ou garganta.

A principal forma de transmissão é o contato sexual, incluindo relações vaginal, anal ou oral, além do contato pele a pele na área genital, mesmo sem penetração ou presença de verrugas aparentes. Há ainda transmissão menos comum por compartilhamento de objetos, como toalhas e roupas íntimas, e a chamada transmissão vertical, da mãe para o bebê durante o parto.

Tratamento foca nas lesões, não no vírus

O tratamento do HPV tem como objetivo destruir as lesões causadas pelo vírus, mas não elimina o agente infeccioso do organismo. Por isso, mesmo após a remoção das verrugas, elas podem reaparecer.

Entre as opções estão medicamentos de uso local, como cremes à base de imiquimode ou aplicação de ácidos, e procedimentos ambulatoriais, como eletrocauterização, crioterapia (congelamento) ou remoção cirúrgica das lesões. Quando há comprometimento do colo do útero, os médicos podem indicar cauterização para remover áreas infectadas, permitir o crescimento de células saudáveis e evitar a progressão para o câncer.

Como prevenir: vacina, preservativo e exames

A vacinação é considerada a medida mais eficaz para prevenir a infecção pelos tipos de HPV mais associados ao câncer. No Brasil, o SUS oferece a vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18.

O preservativo reduz o risco de transmissão, mas não protege totalmente, já que o vírus pode estar presente em áreas não cobertas, como vulva e bolsa escrotal. Por isso, especialistas reforçam a necessidade de combinar o uso de camisinha com vacinação e exames de rastreamento.

O exame de Papanicolau identifica lesões precursoras no colo do útero. Recentemente, o SUS incorporou o teste molecular de DNA-HPV, considerado mais eficaz para detectar infecções de alto risco e que permite aumentar o intervalo entre os exames para até cinco anos, quando o resultado é negativo.

Meta de vacinação e novos grupos prioritários

O Brasil definiu como meta atingir 90% de cobertura vacinal contra o HPV entre meninos e meninas. Em 2024 e 2025, o país adotou o esquema de dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além desse público, a vacinação é indicada em três doses para grupos prioritários, como pessoas imunodeprimidas, vítimas de abuso sexual e usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) até os 45 anos. Essas estratégias, aliadas à nova lei trabalhista, buscam ampliar a proteção contra o HPV e reduzir os casos de câncer associados ao vírus no país.

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