
Canetas Emagrecedoras
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A pancreatite aguda já está descrita como possível efeito adverso nas bulas de todas as principais “canetas emagrecedoras” disponíveis no Brasil. Medicamentos como Ozempic, Wegovy, Saxenda, Victoza e Mounjaro, que pertencem à classe dos agonistas do GLP-1 e, em alguns casos, também do GIP, trazem a inflamação do pâncreas como risco conhecido, ainda que considerado incomum ou raro.
O tema voltou ao debate após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitir, nesta semana, um alerta de farmacovigilância reforçando a associação entre o uso desses medicamentos e casos de pancreatite aguda — especialmente quando utilizados fora das indicações aprovadas ou sem acompanhamento médico.
Segundo a agência, o risco já consta nas bulas registradas no país, mas o aumento de notificações levou ao reforço das orientações. A Anvisa destacou que não houve mudança na relação risco-benefício dos medicamentos, mas alertou que o uso indiscriminado, sobretudo para fins estéticos e sem necessidade clínica, pode elevar a probabilidade de eventos adversos graves.
O que dizem as bulas
Nas bulas da semaglutida (Ozempic e Wegovy), a pancreatite aguda aparece como reação “incomum”, podendo afetar até 1 em cada 100 pacientes. O documento orienta a interrupção imediata do tratamento diante de dor abdominal intensa e persistente.
No caso da liraglutida (Saxenda e Victoza), a inflamação do pâncreas também é descrita como evento adverso grave. A frequência varia de “incomum” a “muito rara”, a depender da indicação e da formulação.
Já a bula da tirzepatida (Mounjaro) informa que o medicamento não foi estudado em pacientes com histórico de pancreatite e recomenda cautela, além de listar o quadro como possível evento adverso identificado após a comercialização.
Há consenso entre fabricantes e autoridades regulatórias de que, diante da suspeita de pancreatite, o tratamento deve ser suspenso e não retomado caso o diagnóstico seja confirmado.
Dados do Brasil e do Reino Unido
O alerta brasileiro ocorre em um contexto de crescimento do uso desses medicamentos. No Reino Unido, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) também atualizou neste ano as informações de segurança para profissionais e pacientes, reforçando o pequeno risco de pancreatite aguda grave associado aos fármacos.
Entre 2007 e outubro de 2025, a MHRA registrou 1.296 notificações de pancreatite relacionadas a usuários dessas medicações, incluindo 19 mortes. No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, foram notificadas 145 suspeitas de eventos adversos, com seis casos com desfecho de óbito.
A diretora de Segurança da MHRA, Alison Cave, afirmou que o risco é “muito pequeno”, mas ressaltou a importância de pacientes e profissionais estarem atentos aos sintomas iniciais.
Uma pesquisa da University College London estimou que cerca de 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, País de Gales e Escócia utilizaram semaglutida ou tirzepatida entre o início de 2024 e o começo de 2025 para perda de peso.
Sintomas e orientação médica
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com risco de complicações potencialmente fatais. Os principais sintomas incluem dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas, além de náuseas e vômitos.
A Anvisa recomenda que pacientes procurem atendimento médico imediato ao apresentar esses sinais. Profissionais de saúde devem interromper o tratamento diante da suspeita e notificar o caso no sistema VigiMed, contribuindo para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos.
Embora o evento seja considerado raro, autoridades reforçam que o uso deve seguir rigorosamente as indicações aprovadas em bula — principalmente em um cenário de popularização das chamadas canetas emagrecedoras para finalidades estéticas.

