
Parkinson: exercícios e dieta que ajudam a controlar os sintomas
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Quando o assunto é doença de Parkinson, o tratamento não medicamentoso ganha destaque como pilar essencial do cuidado.
No Sistema Único de Saúde (SUS), Centros Especializados de Reabilitação (CER) oferecem acompanhamento multiprofissional que combina exercício, orientação nutricional, terapia ocupacional e fonoaudiologia para controlar sintomas e manter a independência de quem convive com a doença.
Além dos remédios prescritos pelos médicos, estratégias de reabilitação estruturam o dia a dia e reduzem o impacto de sintomas motores e não motores. O objetivo é ampliar segurança, autonomia e qualidade de vida em todas as fases da doença.
Esse cuidado se organiza em um plano terapêutico individual, definido por equipe que pode envolver fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fonoaudiólogos e outros profissionais, com reavaliações periódicas conforme a evolução do quadro.
Movimento é remédio: fisioterapia, esteira e Tai chi no controle da doença
Para as pessoas com Parkinson, o movimento atua como um remédio importante. A reabilitação motora inclui fisioterapia convencional, treinamento em esteira ergométrica e práticas corporais como o Tai chi, integradas ao projeto terapêutico dos pacientes.
Essas estratégias apresentam benefícios na velocidade da caminhada, no aumento da força muscular, no comprimento da passada e no equilíbrio. Ao melhorar esses aspectos, os exercícios ajudam a prevenir o congelamento da marcha e a ocorrência de quedas, um dos maiores riscos nessa população.
Na fisioterapia, o paciente treina mudanças de direção, transferências de peso e técnicas para iniciar a marcha com mais segurança.
Já o Tai chi, com movimentos lentos e controlados, favorece postura, coordenação e consciência corporal, contribuindo para mais confiança ao se locomover.
O treinamento em esteira também pode ser ajustado de acordo com a capacidade de cada pessoa, permitindo trabalhar ritmo, resistência e simetria da marcha em ambiente monitorado.
Autonomia e segurança: o papel da terapia ocupacional e fonoaudiologia
Manter a independência no dia a dia é um dos principais objetivos da terapia ocupacional. O terapeuta ocupacional incentiva o autocuidado, como banho, higiene, vestuário e alimentação, adaptando tarefas complexas em subtarefas simples e mais fáceis de executar.
Quando surgem limitações em atividades cotidianas, como cuidados pessoais, limpeza da casa, trabalho ou lazer, ou quando há prejuízo na mobilidade funcional, esse profissional avalia rotinas e sugere estratégias para simplificar gestos e economizar energia.
A terapia ocupacional também propõe ajustes no ambiente físico, com barras de apoio, utensílios adaptados e reorganização de móveis, para reduzir riscos de queda e aumentar a segurança dentro de casa.
Já a fonoaudiologia tem papel fundamental na reabilitação da fala e da deglutição. O fonoaudiólogo atua na disartria, que envolve alterações da fala e da função laríngea, e na disfagia, dificuldade para engolir, com exercícios para língua, pescoço e ombros, técnicas de deglutição com esforço e ajustes na consistência dos alimentos.
Com esse trabalho, a equipe busca diminuir engasgos, facilitar a alimentação, melhorar a projeção da voz e favorecer a comunicação com familiares e cuidadores.
Dieta estratégica: combatendo a constipação e melhorando a deglutição
A nutrição adequada é outra aliada importante no controle dos sintomas do Parkinson e precisa ser adaptada a cada estágio da doença. Logo após o diagnóstico, a dieta costuma priorizar uma alimentação rica em fibras, com frutas, verduras, legumes e grãos integrais.
Aliada ao aumento da ingestão de líquidos e à prática regular de exercícios físicos, essa dieta é a principal conduta para tratar a constipação intestinal, um dos sintomas não motores mais frequentes e incômodos entre as pessoas com Parkinson.
Conforme a doença progride, o suporte nutricional também ajusta a textura e a densidade energética das refeições para contornar dificuldades de mastigação e deglutição, além de prevenir a perda de peso não intencional.

