Saúde

Vacina da herpes-zóster é segura para pacientes reumáticos, diz estudo

Pesquisa inédita com mais de mil pacientes revela que imunizante não agrava doenças reumáticas e gera anticorpos em 90% dos casos analisados

Da redação
DA REDAÇÃO

17/03/2026 • 17:17 • Atualizado em 17/03/2026 • 17:17

Vacinas são fundamentais na faixa dos 50 anos

Vacinas são fundamentais na faixa dos 50 anos

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) revelou que a vacina contra herpes-zóster é segura para pacientes com doenças reumáticas autoimunes (DRAI), como artrite reumatoide e lúpus. A investigação, considerada a maior do mundo a avaliar sistematicamente a segurança e a eficácia do imunizante nesta população, foi publicada na renomada revista científica The Lancet Rheumatology.

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Os dados demonstram que não houve aumento no risco de agravamento das doenças pré-existentes, mesmo em pacientes com quadros ativos ou em tratamento com imunossupressores. O acompanhamento de 1.192 voluntários com nove diagnósticos diferentes mostrou que cerca de 90% desenvolveram anticorpos adequados após o esquema de duas doses.

Eficácia e comportamento do sistema imunológico

A responsável pela pesquisa e titular de Reumatologia da FMUSP, Eloisa Bonfá, ressalta que a taxa de piora clínica nos vacinados foi de 14%, índice equivalente aos 15% observados no grupo que recebeu placebo. Além disso, os pacientes com doenças autoimunes relataram menos efeitos colaterais, como febre e dor no local da aplicação, do que o grupo de controle formado por indivíduos saudáveis.

Entretanto, a resposta imune não foi uniforme para todos os perfis. Para pacientes que utilizam medicamentos específicos, como rituximabe e micofenolato de mofetila, a produção de anticorpos foi menor. Segundo Eloisa Bonfá, esses casos exigem uma análise separada e, possivelmente, a aplicação de doses de reforço para garantir a proteção necessária.

Riscos da herpes-zóster e benefícios da prevenção

A herpes-zóster, popularmente chamada de cobreiro, é causada pela reativação do vírus Varicela-Zóster, o mesmo da catapora. Em pessoas com o sistema imunológico fragilizado ou acima de 50 anos, a doença pode evoluir para complicações graves, como dor crônica persistente, infecções bacterianas secundárias e até quadros fatais de inflamação no cérebro (Síndrome de Reye).

Para os especialistas, a vacinação recombinante — já disponível no mercado — é uma ferramenta vital de saúde pública. Eloisa Bonfá enfatiza que a prevenção evita internações de alto custo e complicações severas que podem levar ao óbito, especialmente em pacientes que já enfrentam patologias crônicas. O tratamento atual, embora conte com antivirais e analgésicos, deve ser iniciado nas primeiras 72 horas para ser efetivo, o que torna a imunização a estratégia mais segura.

Com informações da Agência Brasil