
Sol tem ação cumulativa e pode causar diversos danos na pele
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Janeiro é sinônimo de férias, praia, piscina e atividades ao ar livre. O sol, que faz parte do cenário, pode também se tornar parte do problema. No auge do verão, quando a exposição solar aumenta, médicos reforçam um alerta que costuma ser subestimado: os danos causados agora podem aparecer apenas muitos anos depois.
“Todos os cânceres de pele decorrem do excesso de sol. A luz ultravioleta danifica as células da pele, produz mutações e isso leva a uma variedade de tipos de câncer de pele”, afirma o oncologista Antonio Buzaid, cofundador do Instituto Vencer o Câncer.

Sol tem ação cumulativa e pode causar diversos danos na pele (foto: PIxabay)
Segundo ele, lazer e saúde não são opostos — desde que a exposição se dê de forma criteriosa. “Lazer é importante, brincar, fazer esporte, mas deve ser feito de um modo esperto: aplicar protetor solar em áreas expostas, uma camada generosa, reaplicar a cada duas horas e usar também proteção mecânica, como chapéu, camisetas de proteção solar de manga longa, bermudas que vão até o joelho. Isso obviamente reduz o risco.”
O perigo invisível do dano cumulativo
Um dos principais motivos de a exposição solar não ter a atenção que deveria é o intervalo entre causa e consequência. “Uma das razões pela qual as pessoas não levam a sério esse ponto é porque você toma sol em excesso quando tem 20, 30 anos ou na adolescência e paga o preço quando tem 50, 60, 70 anos”, explica Buzaid.
Ele destaca que o organismo não “apaga” o excesso de radiação recebido ao longo da vida. “O dano solar é cumulativo, ele nunca vai embora.” Não é raro, segundo o médico, pacientes questionarem a origem da doença: “As pessoas começam a desenvolver câncer de pele e me perguntam se foi decorrente do sol que tomaram aos 20 anos de idade, porque nos últimos 10 -15 anos não tomam mais sol. Explico que é o preço que pagam agora pela exposição anterior.”
Três tipos principais de câncer de pele
Do ponto de vista prático, Buzaid divide os cânceres de pele em três grandes grupos:
- O mais comum é o carcinoma basocelular, frequentemente localizado no rosto. “É o chamado T do rosto, que aparece perto da asa do nariz, dos olhos. É o carcinoma de células, o mais comum de todos.”
- O segundo é o carcinoma de células escamosas. “Esse tipo afeta principalmente mãos, braços, orelhas, tronco, pernas. Pode ter também carcinoma basocelular nesses lugares, mas o carcinoma de células escamosas tem essa predileção.”
- O terceiro — e mais grave — é o melanoma. “É o mais grave de todos, porque tem a possibilidade de se espalhar e, quando isso acontece, se torna uma doença muito grave. Ainda passível de ser curada, mesmo quando espalhada pelo corpo. Mas claramente muito mais difícil.”
Imunidade tem papel importante na prevenção
Além da radiação solar, o funcionamento do sistema imunológico influencia diretamente o surgimento do câncer. “Todos os cânceres, sem exceção, ocorrem porque o sistema imune falhou”, alerta Buzaid.
A alimentação tem papel central nesse processo. “A dieta regula o sistema imune através da flora intestinal (micro bioma intestinal). Se a pessoa come alimentos não saudáveis, o sistema imune também não fica saudável.” Por outro lado, ele reforça: “A dieta saudável, com o que há na natureza, tem um grande valor na manutenção do sistema imune.”
Hereditariedade: exceção, não regra
Embora existam mutações genéticas associadas ao melanoma, elas representam uma parcela pequena dos casos. “Algumas mutações genéticas conferem alto risco para melanoma, e essas pessoas podem até ter mais cancer de pâncreas, dentre outros”, explica. “Felizmente são raras as pessoas portadoras dessa mutação. A vasta maioria dos casos, vamos dizer 95% - 98% dos cânceres de pele não têm nada a ver com a hereditariedade, mas sim com o dano solar.”
O tom de pele também influencia o risco. “Pessoas de pele muito clara precisam se proteger mais do que quem tem a pele mais escura.” E o cuidado deve começar cedo: “Tem que se proteger desde jovem, desde pequeno – responsabilidade dos pais no começo.”
Queimaduras e bronzeamento artificial
A exposição que leva à queimadura é especialmente perigosa. “Pessoas de pele muito clara, chamamos de pele tipo 1, com uma exposição solar de meia hora, a pele fica vermelha. Com mais tempo poderá ter queimaduras severas, com bolhas. São pessoas mais suscetíveis ao câncer de pele. Lembrando que esse dano solar fica para sempre.”
Sobre câmaras de bronzeamento, Buzaid é categórico: “Câmeras de bronzeamento inequivocadamente aumentam o risco de câncer de pele. Não há dúvida, nem controvérsia. Precisamos entender e evitar isso.”
Detecção precoce salva vidas
Por fim, o especialista reforça a importância de observar mudanças na pele. “Paciente que vai ao médico e fala que a pinta se modificou, pode ser um melanoma. E quanto mais precoce identificar esse melanoma, maior as chances de cura.”
Os números mostram o impacto do diagnóstico precoce. “Exemplo: um melanoma que penetra profundamente na pele em 5 milímetros de profundidade, a cura é próxima de 100%.” Em estágios mais avançados, o cenário muda drasticamente: “Com um melanoma que invade meio centímetro, aproximadamente metade dos pacientes morre.”
A conclusão: “A detecção precoce faz com que a curabilidade do melanoma seja muito maior – e, na realidade, isso se dá para todos os cânceres.”
No verão, quando o sol convida ao lazer ao ar livre, é fundamental lembrar: aproveitar sim — mas com proteção, informação e atenção aos sinais do próprio corpo.

