
Milionários do agro são alvo das construtoras de luxo
Divulgação/REM
O crescimento de 12,2% do agronegócio brasileiro no primeiro trimestre deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impulsionado pela supersafra de grãos 2024/25, deve refletir diretamente no mercado imobiliário de alto padrão. Os novos milionários do agronegócio viraram alvos de grandes construtoras, que buscam moradores riquíssimos para investirem em prédios luxuosos.
Em São Paulo, pelo menos metade dos apartamentos do que será o edifício mais alto e luxuoso da capital já foram comprados por agricultores. E em busca de mais moradores, os executivos das construtoras calçaram botinas e foram até regiões como Mato Grosso, Goiás e Paraná atrás de mais endinheirados, dispostos a pagar até R$ 17 milhões em um apê.
“Sondagens de mercado detectaram que há investidores dos estados de Mato Grosso e do Paraná, bem como de outras regiões do país, atentos ao setor imobiliário da cidade de São Paulo. São empresários do agronegócio que visitam a capital com objetivo de fazer negócios”, explica Rodrigo Mauro, CEO da REM Construtora. “Desde o planejamento do projeto vislumbramos esforços de vendas direcionados ao agro, hoje um dos setores mais empoderados da economia.”
Mauro foi um dos executivos que deixou o escritório e se embrenhou na estrada para realizar um ‘road show’ e apresentar a empresários atuantes no agronegócio no Mato Grosso e Paraná as novidades imobiliárias de São Paulo, principalmente o residencial, em construção, que terá vista panorâmica da cidade. “As unidades do Altitude Jardins por Artefacto foram adquiridas, inicialmente, por compradores da capital mato-grossense no estande do empreendimento, em São Paulo. Há outras tratativas, junto a empresários do agronegócio, após a realização dos primeiros lançamentos regionais”, diz Mauro. “Face ao resultado positivo, deveremos prosseguir até o final do ano com a estratégia de buscar negócios para além da cidade de São Paulo, em praças como Ribeirão Preto (SP) e outras cidades agrícolas do Mato Grosso”, ele adianta.
De acordo com o executivo, o projeto ocupará um quadrilátero inteiro no bairro dos Jardins, entre o Pacaembu e a região da avenida Paulista, com quase 45 mil m² construídos. “Será o prédio mais alto da cidade, com 1 km acima do nível do mar”, afirma Mauro. O empreendimento totaliza investimentos de R$ 700 milhões.
De frente para a praia
Não é de hoje que os agricultores milionários demostram apetite por prédios de luxo em regiões distantes de suas terras produtivas. Na região de Itapema, no litoral de Santa Catarina, considerada a segunda cidade com o metro quadrado mais valorizado do país, de acordo com o Índice FipeZap, os agricultores já representam 70% dos investidores.

“Esse movimento vem crescendo ano após ano e deve se intensificar com a excelente safra registrada no primeiro trimestre. Boa parte desse público opta por investir em Itapema", afirma Luiz Feitosa, sócio do empreendimento Edify One, um prédio de luxo, de frente pro mar, que tem entre os sócios, a NR Sports, do jogador Neymar.
Por lá, um apê pode custar R$ 13 milhões, mas a cobertura está avaliada em R$ 49 milhões. “O público do agro tem contribuído diretamente para transformar o mercado imobiliário de Itapema. São investidores exigentes, que buscam exclusividade, sofisticação e uma experiência completa à beira-mar", diz Manoela Passos Legarrea, sócia e diretora da Construtora e Incorporadora Edify.
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