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Alimentação pode combater ansiedade e depressão em cães e gatos

Ingredientes naturais e controle de peso atuam diretamente no sistema nervoso e melhoram comportamento animal; veja lista de alimentos

Da redação
DA REDAÇÃO

16/01/2026 • 16:53 • Atualizado em 16/01/2026 • 16:53

O alerta ganha relevância diante do aumento de casos de distúrbios comportamentais em clínicas veterinárias

O alerta ganha relevância diante do aumento de casos de distúrbios comportamentais em clínicas veterinárias

Mariana Al/Pexels

Resumo

Especialistas de nutrição animal destacam que a dieta influencia diretamente a saúde mental dos pets, podendo prevenir ou agravar quadros de ansiedade e depressão, especialmente quando associada à obesidade; sinais como latidos excessivos, destruição de objetos, agressividade e automutilação indicam sofrimento emocional e exigem atenção à alimentação.

Estudo científico aponta correlação entre excesso de peso e comportamentos indesejáveis em cães, como medo, agressividade e dificuldade em responder a comandos; inflamação crônica, dores articulares e redução da mobilidade, causadas pela obesidade, impactam negativamente o estado emocional dos animais, segundo especialistas do setor.

Estratégia nutricional para melhorar a saúde mental dos pets inclui a incorporação gradual de alimentos naturais e funcionais, como triptofano, ômega-3, vitaminas do complexo B, fibras e antioxidantes; cuidados na transição alimentar e acompanhamento veterinário são essenciais para evitar desconfortos digestivos e garantir o bem-estar dos animais.

Especialistas do setor de nutrição animal alertam que a dieta oferece muito mais do que energia física para os pets; ela desempenha um papel crucial na saúde mental de cães e gatos. Assim como os humanos, os animais de estimação estão suscetíveis a quadros de ansiedade e depressão, condições que podem ser agravadas pela obesidade e mitigadas por uma alimentação balanceada rica em nutrientes específicos.

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O alerta ganha relevância diante do aumento de casos de distúrbios comportamentais em clínicas veterinárias. Sinais como latidos excessivos, destruição de objetos, agressividade repentina, medo exagerado de barulhos e automutilação (como lamber as patas compulsivamente) podem indicar sofrimento emocional.

Segundo profissionais da área, a chave para o tratamento muitas vezes começa no comedouro, com a inclusão de ingredientes que atuam diretamente na química cerebral.

A relação entre obesidade e comportamento

Um dos principais fatores de risco para a saúde mental dos pets é o excesso de peso, um problema crescente no mercado pet brasileiro. Um estudo publicado na revista científica Preventive Veterinary Medicine, que analisou mais de 11 mil cães, identificou uma correlação direta entre o peso e o comportamento.

A pesquisa apontou que animais com sobrepeso têm maior probabilidade de apresentar comportamentos indesejáveis — como medo, agressividade e dificuldade em responder a comandos — quando comparados a cães com condição corporal ideal.

Para a nutricionista veterinária Gabriela Corte Real, da foodtech A Quinta Pet, o problema é fisiológico. “O excesso de peso gera inflamação crônica, desconforto físico, dores articulares e redução da mobilidade, fatores que impactam diretamente o comportamento e o estado emocional dos cães”, explica a especialista.

Ingredientes que atuam no cérebro

A estratégia nutricional para combater esses quadros envolve o uso de ingredientes funcionais. A incorporação de alimentos naturais na dieta ajuda tanto na prevenção da obesidade quanto no suporte ao sistema nervoso. De acordo com a nutricionista, alguns nutrientes são essenciais para a regulação emocional e o equilíbrio do humor. Abaixo, estão os principais componentes que auxiliam na saúde mental dos pets:

  • Triptofano: Presente em carnes, frango, peixes e ovos, é um aminoácido precursor da serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.
  • Ácidos graxos (Ômega-3): Encontrados em óleos de peixe, linhaça e algas, possuem potente ação anti-inflamatória e auxiliam na redução da ansiedade.
  • Vitaminas do complexo B: Fundamentais para o bom funcionamento do sistema nervoso central.
  • Fibras: Auxiliam na saciedade e na saúde intestinal. A ciência atual destaca o "eixo intestino-cérebro", onde uma flora intestinal saudável reflete diretamente na saúde mental.
  • Antioxidantes: Encontrados em frutas e vegetais, combatem o estresse oxidativo das células cerebrais.

Cuidados na transição alimentar

Embora a inclusão desses alimentos seja benéfica, a mudança na rotina alimentar do animal não pode ser brusca. O sistema digestivo dos pets é sensível e alterações rápidas podem causar desconforto gastrointestinal, como vômitos e diarreia.

A orientação é que a substituição — seja da ração pela alimentação natural ou a troca de marcas — seja gradual. “A substituição parcial pode começar com 10% a 20% da refeição, aumentando aos poucos ao longo de 7 a 14 dias. Isso evita desconfortos e facilita a adaptação”, detalha Gabriela.

É fundamental ressaltar que qualquer alteração na dieta deve ser prescrita e acompanhada por um médico-veterinário ou zootecnista. O tutor deve observar atentamente as mudanças de comportamento após a introdução de novos alimentos, garantindo que a dieta esteja, de fato, promovendo saúde e bem-estar ao animal.

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