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Conflitos geopolíticos provocam queda de 15% nas compras de fertilizantes

Associação aponta queda nas entregas ao mercado brasileiro após início da guerra no Irã, afetando previsões para a safra 2026/2027

Da redação
DA REDAÇÃO

07/08/2026 • 12:20 • Atualizado em 07/08/2026 • 12:20

Guerra no Oriente Médio e na Ucrânia impactam o comércio de fertilizantes

Guerra no Oriente Médio e na Ucrânia impactam o comércio de fertilizantes

Trilux

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro registraram recuo de 14,7% no mês de maio de 2026, totalizando 3,16 milhões de toneladas. O desempenho contrasta com o mesmo período de 2025, quando o volume atingiu 3,70 milhões de toneladas. Os dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) apontam que as adversidades no cenário geopolítico global e a escassez de crédito pressionaram o setor no período.

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No acumulado entre janeiro e maio de 2026, o volume entregue somou 15,46 milhões de toneladas. O resultado representa um leve recuo de 2,2% na comparação com os primeiros cinco meses de 2025, quando foram contabilizadas 15,81 milhões de toneladas. Segundo a ANDA, a boa safrinha sustentou o ritmo de compras no primeiro trimestre do ano, mas o início do conflito no Irã arrefeceu os novos negócios, movimento cujos reflexos começaram a ser percebidos em maio e devem impactar a safra 2026/2027.

Mato Grosso manteve a liderança no consumo nacional até maio, concentrando 3,89 milhões de toneladas, o que corresponde a 25,2% de todas as entregas do país. Na sequência, aparecem Paraná (1,75 milhão de toneladas), São Paulo (1,67 milhão), Goiás (1,61 milhão) e Minas Gerais (1,15 milhão).

Recuo na produção e nas importações de adubos

A produção nacional de fertilizantes intermediários — insumos processados utilizados na composição dos adubos finais — também apresentou retração. Em maio de 2026, o volume fabricado no país atingiu 485 mil toneladas, valor 26,2% menor do que o registrado em maio do ano anterior. Entre janeiro e maio, a produção acumulou 2,41 milhões de toneladas, queda de 17,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando alcançou 2,90 milhões de toneladas.

De acordo com a entidade setorial, a retração na indústria interna decorre principalmente do aumento contínuo nos preços do enxofre no mercado internacional, matéria-prima indispensável para a fabricação de adubos fosfatados no Brasil. A ANDA ressaltou ainda que alterações na estrutura societária e a retomada de produção em certos ativos fizeram com que parte do volume fabricado no país — especialmente a ureia e o cloreto de potássio — não fosse computada no balanço do período.

No front externo, a importação de fertilizantes intermediários apresentou diminuição. O volume desembarcado nos portos brasileiros em maio somou 3,31 milhões de toneladas, queda de 9,4% ante maio de 2025. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, as importações atingiram 14,52 milhões de toneladas, uma redução de 2,7% na comparação com o ciclo anterior, quando entraram no país 14,92 milhões de toneladas.

O Porto de Paranaguá (PR), seguiu como a principal porta de entrada do insumo no país, operando 3,64 milhões de toneladas de janeiro a maio. O montante representa 25,1% de todo o volume importado pelo Brasil no período, embora registre queda de 9,6% em relação às 4,02 milhões de toneladas descarregadas no terminal em igual intervalo de 2025