Resumo
Debates da COP30 em Belém concentram-se na segurança alimentar, destacando o papel estratégico do Brasil como exportador essencial de alimentos e protagonista no combate à fome global.
Participação de produtores rurais, entidades do agronegócio, governo e setor privado no painel internacional foca no comércio como ferramenta para combater a fome, enfatizando a importância da distribuição e acesso a alimentos nas conferências climáticas.
Destaque para práticas sustentáveis de agricultura de baixo carbono adotadas pelo Brasil, negociações em andamento entre Mercosul e União Europeia, e criação inédita da AgriZone como espaço exclusivo para agricultura na COP, com expectativa de influência positiva nas negociações internacionais.
A última semana de debates realizados na COP30, em Belém (PA) são decisivas para o futuro do planeta. Na Agrizone, área dedicada às discussões do agronegócio, o debate desta terça-feira (18) concentrou-se em segurança alimentar, tema central diante das demandas globais por alimentos e das possibilidades que o Brasil oferece nesse cenário.
O coordenador de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Felipe Spaniol, destacou o papel estratégico do Brasil nas discussões sobre segurança alimentar. “O Brasil desempenha um papel fundamental porque é um dos países que mais contribui no combate à fome no mundo, porque nós somos hoje exportador de alimentos do mundo”, afirmou, ressaltando que o país exporta grande quantidade de alimentos e importa muito pouco, tornando-se essencial na luta contra a fome global.
No painel internacional realizado na AgriZone, estiveram presentes parceiros, produtores rurais, entidades de representação do agronegócio, além de representantes do governo e do setor privado. O objetivo principal foi debater como o comércio pode contribuir para o combate à fome mundial, destacando a importância da distribuição e do acesso a alimentos como fatores essenciais nas conferências climáticas. “A gente tenta cada vez mais colocar essa agenda dentro da agenda da COP também”, disse Spaniol.
Além do protagonismo em volume de produção, o Brasil também se destaca pela adoção de técnicas sustentáveis há décadas, como as de agricultura de baixo carbono. Spaniol ressaltou que essas práticas têm papel fundamental na redução de emissões e podem servir de modelo para outros países. “Garantindo eficiência na produção, garantindo o retorno financeiro para quem está no campo, mas também fazendo com que a gente possa contribuir com o meio ambiente”, comentou.
Entre as expectativas para os desdobramentos das discussões, ele citou o exemplo das negociações entre os blocos Mercosul e União Europeia, que estão em fase final e envolvem temas como salvaguardas regulamentadas pelo bloco europeu. “A ideia é fazer essa discussão em alto nível, tentar colocar a visão do setor privado para esses agentes do setor público avançarem de maneira correta”, explicou.
Esta edição da COP é a primeira a contar com um espaço exclusivo para a agricultura, a AgriZone considerado inédito em conferências internacionais. Segundo Spaniol, o espaço conta com três áreas dedicadas ao setor e há expectativa de que a Austrália, possível anfitriã da próxima COP, também inclua uma AgriZone no evento.
As negociações oficiais de Estado, no entanto, acontecem na Blue Zone, onde há “um passo de diálogo, onde todos os dias temos discussões temáticas, como a que a gente tem aqui na Agrisony, mais voltada para os temas da negociação”, detalhou o coordenador. Spaniol também enfatizou a importância da preparação diária da agenda com representantes do agronegócio brasileiro para destacar eventos relevantes e criar uma coalizão capaz de influenciar positivamente as negociações na conferência. “Tentamos criar uma coalizão para influenciar de maneira positiva essas negociações”, concluiu.
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