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Embrapa produz mudas nativas da Caatinga com água salobra no Semiárido

Estudo demonstra que irrigação biossalina forma plantas mais resistentes a secas e altas temperaturas, sem riscos à saúde humana ou ao solo

Da redação
DA REDAÇÃO

04/04/2026 • 14:54 • Atualizado em 04/04/2026 • 14:54

Muda cultivada com água salobra

Muda cultivada com água salobra

Bárbara Dantas/Embrapa

Resumo

Pesquisa da Embrapa Semiárido resultou em técnica de produção biossalina, permitindo cultivo de mudas nativas da Caatinga com irrigação por águas salobras, que favorece resistência a estresses ambientais típicos da região.

Estudo identificou diferentes níveis de tolerância ao sal entre espécies, destacando angico-de-caroço, catingueira-verdadeira, mulungu e pereiro como altamente resistentes, enquanto aroeira-do-sertão mostrou menor adaptação, sendo esse conhecimento essencial para projetos de reflorestamento.

Tecnologia biossalina viabiliza recuperação ambiental e fortalecimento da economia local, com potencial uso de águas residuárias e criação de corredores ecológicos, além de orientar produtores sobre manejo seguro e ampliar oportunidades em mercados de mudas e créditos de carbono.

Pesquisadores da Embrapa Semiárido, em Pernambuco, desenvolveram uma técnica que permite a produção de mudas de espécies florestais nativas da Caatinga utilizando irrigação por águas salobras. O método, chamado de produção biossalina, não compromete o desenvolvimento das plantas e estimula a formação de mudas mais resistentes a estresses ambientais, como a seca e as altas temperaturas características da região.

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No Semiárido brasileiro, cerca de 70% das fontes de águas subterrâneas possuem algum grau de salinidade, o que costuma inviabilizar o uso na agricultura tradicional. A proposta da Embrapa é transformar esse recurso, muitas vezes descartado, em um insumo produtivo para viveiros focados em restauração ambiental.

A pesquisadora Bárbara França Dantas explica que o uso de água salobra nesta fase é seguro. Segundo a especialista, a aplicação ocorre apenas no substrato — o meio usado para o crescimento das raízes fora do solo —, o que evita riscos à saúde humana e impede a salinização da terra antes do transplante definitivo das mudas.

Espécies tolerantes ao sal no sertão

Os experimentos da Embrapa identificaram diferentes níveis de resistência entre as espécies nativas. Plantas como o angico-de-caroço, a catingueira-verdadeira, o mulungu e o pereiro demonstraram alta tolerância. Elas mantiveram boas taxas de crescimento mesmo quando irrigadas com águas de alta condutividade elétrica, que indica a concentração de sais.

Por outro lado, espécies como a aroeira-do-sertão apresentaram menor resistência. De acordo com Dantas, entender esses limites é fundamental para orientar produtores e viveiristas na seleção correta para projetos de reflorestamento em áreas degradadas.

A diferença entre águas salobras e salinas reside na concentração de sais dissolvidos, como cloretos e carbonatos. As águas salobras contêm até 30 miligramas de sais por litro; acima disso, são classificadas como salinas. A técnica biossalina aproveita essas características para ativar mecanismos fisiológicos de defesa nas plantas.

Recuperação ambiental e economia local

Além da resistência climática, a técnica pode ser integrada ao reúso de águas residuárias, como efluentes da piscicultura. A Embrapa ressalta a importância de avaliar a qualidade da água antes de iniciar o cultivo. Para isso, a instituição disponibilizou um documento técnico com diretrizes sobre manejo e aclimatação.

As espécies estudadas desempenham papel estratégico na contenção da desertificação e na criação de corredores ecológicos. A aplicação da tecnologia em viveiros regionais também abre portas para o fortalecimento da economia local, por meio da venda de mudas e sementes e da participação em programas de crédito de carbono.