A produção de vinhos no Distrito Federal deixou de ser uma novidade para se consolidar como uma realidade premiada no cenário nacional. O destaque conquistado pela região transformou Brasília em um polo de enoturismo, atraindo apreciadores de diversas partes do Brasil. Recentemente, 10 vinícolas locais se uniram em um projeto conjunto que oferece passeios, visitas guiadas e degustações, impulsionando o turismo rural no cerrado.
Os rótulos produzidos na capital federal acumulam reconhecimentos. De acordo com produtores locais, a região já soma mais de 120 premiações nacionais e internacionais. Esse desempenho é atribuído à troca constante de experiências e ao conhecimento compartilhado entre as famílias que lideram a produção vitivinícola na região.
Estrutura arquitetônica e experiência no campo
A vinícola Brasília, situada a menos de uma hora do centro do Distrito Federal, destaca-se pela estrutura arquitetônica inspirada nos palácios e monumentos da capital. O empreendimento é resultado da união de 10 vinhedos e aposta no atendimento personalizado e no enoturismo como diferenciais competitivos. Semanalmente, grupos de visitantes são recebidos para acompanhar de perto o processo de produção e degustar os vinhos locais.
Durante as visitas guiadas, o público tem acesso a rótulos cujos nomes homenageiam elementos da arquitetura da cidade, como pilotis, cobogó e croqui. Para quem participa da experiência, o passeio oferece um refúgio da rotina urbana. O visitante Ademir, que já conhecia vinícolas do Sul do país, ressalta que a proximidade com a capital permite trocar a correria da cidade pela calmaria do campo, compreendendo o processo produtivo e saboreando melhor o produto.
Dupla poda e o microclima do cerrado
O clima do Cerrado apresenta condições favoráveis para a viticultura de inverno. A região permite a colheita de uvas durante o período de seca, aproveitando a amplitude térmica marcada por dias quentes e noites frias.
Para potencializar a qualidade das uvas, os produtores utilizam a técnica da dupla poda. O método inverte o ciclo tradicional de produção da videira, garantindo que a maturação ocorra no período ideal do ano. Entre as variedades cultivadas pelas famílias locais estão syrah, tempranillo e cabernet.
Um dos momentos centrais do tour é a visita à cave subterrânea, local onde os vinhos amadurecem em barris de carvalho por um período que varia de 12 a 18 meses. O produtor Fabrício explica que o trabalho foca em uvas de qualidade superior desde o manejo no vinhedo, permitindo a elaboração de vinhos finos de alta qualidade e com grande potencial de guarda.
Valorização local e expansão do turismo rural
As sessões de degustação são harmonizadas com queijos e frios produzidos no próprio Distrito Federal, valorizando a cadeia produtiva regional. Os produtores destacam o compromisso de apoiar os parceiros locais que cresceram junto com o desenvolvimento da região, resgatando laços históricos que vêm desde a época da colonização do Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PADEF).
O avanço da atividade traz impactos econômicos positivos. Segundo Clarissa Valadares, turismóloga da Emater-DF, o turismo rural na região registrou um crescimento de cerca de 35%, agregando valor à produção agrícola e ampliando a renda dos agricultores. Para os visitantes, o envolvimento direto dos produtores no atendimento agrega valor à experiência, transmitindo a paixão e a trajetória de cada família dedicada à viticultura no cerrado.
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