
Exportações estão em alta, mas ritmo de vendas no Brasil é lento
Ari Dias/AEN
As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram volumes históricos no primeiro bimestre de 2024, ignorando, até o momento, os riscos de agravamento do conflito geopolítico no Oriente Médio. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta sexta-feira (13), o Brasil escoou 493,2 mil toneladas da proteína em fevereiro, estabelecendo o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 1997.
Este resultado marca o terceiro mês consecutivo em que o setor atinge volumes recordes de vendas externas. No entanto, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) ressaltam que os agentes do mercado permanecem em estado de alertam já que os dados divulgados são referentes ao período pré-conflito. O temor é que uma escalada nas tensões internacionais possa criar barreiras logísticas ou diplomáticas, dificultando o fluxo da carne brasileira para um de seus principais destinos.
No entanto, o ritmo dos embarques em março reforça a posição do Brasil como o maior exportador mundial de carne de frango. De acordo com a Secex, os efeitos do conflito no Oriente Médio ainda não se traduziram em quedas nos volumes comercializados. Pelo contrário, a demanda global segue aquecida, garantindo liquidez ao setor exportador.
Mas, enquanto as exportações aceleram, o cenário doméstico apresenta um ritmo mais estável. Segundo a análise do Cepea, a primeira quinzena de março registra uma liquidez menor no mercado interno brasileiro. Isso significa que as negociações entre frigoríficos e o varejo local estão ocorrendo de forma mais lenta do que nas semanas anteriores.
Apesar da movimentação menos intensa, os preços dos diversos produtos avícolas, como o frango vivo e os cortes resfriados, apresentam estabilidade. Para o consumidor final, essa manutenção nas cotações é um indicativo de que não deve haver pressões imediatas de alta nas gôndolas dos supermercados neste período.
O setor avícola monitora atentamente a logística de transporte marítimo e os custos de frete, que podem ser impactados pela instabilidade no Oriente Médio. Qualquer alteração nas rotas de navegação pode influenciar o custo final da proteína, afetando a competitividade do produto brasileiro no exterior.
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