
Produtes de café lucraram muito com exportações de café em 2025
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As exportações de café do Brasil encerraram 2025 com um resultado histórico para o bolso do produtor, apesar de o volume de sacas enviadas ao exterior ter caído. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país faturou US$ 15,586 bilhões no ano passado, um crescimento de 24,1% em relação a 2024.
Mesmo com o faturamento recorde, a quantidade de café embarcada diminuiu. Foram 40,049 milhões de sacas de 60 kg exportadas, o que representa um recuo de 20,8% na comparação com o ano anterior. Esse cenário híbrido — de menos produto, mas mais dinheiro — reflete a valorização do café brasileiro e a alta dos preços no mercado internacional.
O impacto do clima e dos estoques
A redução no número de sacas já era esperada pelo setor. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que o Brasil vinha de um ano recorde em 2024, o que naturalmente reduziu o montante de café armazenado. "A safra do ano passado também foi impactada pelo clima, o que limitou a disponibilidade do produto", afirma.
Para o setor, o fenômeno da entressafra (período entre o fim de uma colheita e o início da próxima) foi mais rigoroso devido a questões climáticas. Isso fez com que o Brasil tivesse menos grãos disponíveis para atender a demanda global, priorizando a qualidade e o valor agregado.
'Tarifaço' americano e crise nos portos
Outro fator determinante para a queda no volume foi a relação comercial com os Estados Unidos. Após a imposição de tarifas de 50% sobre o café brasileiro, os embarques para os norte-americanos despencaram 55% em apenas quatro meses. Com isso, os EUA perderam o posto de maior comprador para a Alemanha.
Além das taxas alfandegárias, os exportadores enfrentaram problemas "da porteira para fora". A infraestrutura portuária brasileira não deu conta do ritmo das cargas, gerando prejuízos de mais de R$ 60 milhões devido a atrasos de navios e custos extras de armazenagem nos portos, como o de Santos (SP).
Qualidade garante preço alto
O que garantiu o recorde financeiro foi a excelência do café nacional. Os chamados "cafés diferenciados" — que possuem certificados de sustentabilidade ou qualidade superior — representaram 20,3% das exportações. O preço médio desses grãos chegou a US$ 432,78 por saca, atraindo mercados exigentes.
Atualmente, o Brasil exporta para 121 países e detém mais de um terço do mercado mundial de café. Mesmo com as dificuldades logísticas e políticas, o investimento do cafeicultor em tecnologia e inovação manteve o produto brasileiro como o mais competitivo do planeta.

