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Exportações de café caíram em 2025, as produtores tiveram mais lucros

País arrecadou US$ 15,6 bilhões em 2025; 'tarifaço' nos Estados Unidos e clima afetaram o volume total de exportações no ano

Da redação
DA REDAÇÃO

19/01/2026 • 16:39 • Atualizado em 19/01/2026 • 16:39

Produtes de café lucraram muito com exportações de café em 2025

Produtes de café lucraram muito com exportações de café em 2025

Pixabay

As exportações de café do Brasil encerraram 2025 com um resultado histórico para o bolso do produtor, apesar de o volume de sacas enviadas ao exterior ter caído. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país faturou US$ 15,586 bilhões no ano passado, um crescimento de 24,1% em relação a 2024.

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Mesmo com o faturamento recorde, a quantidade de café embarcada diminuiu. Foram 40,049 milhões de sacas de 60 kg exportadas, o que representa um recuo de 20,8% na comparação com o ano anterior. Esse cenário híbrido — de menos produto, mas mais dinheiro — reflete a valorização do café brasileiro e a alta dos preços no mercado internacional.

O impacto do clima e dos estoques

A redução no número de sacas já era esperada pelo setor. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que o Brasil vinha de um ano recorde em 2024, o que naturalmente reduziu o montante de café armazenado. "A safra do ano passado também foi impactada pelo clima, o que limitou a disponibilidade do produto", afirma.

Para o setor, o fenômeno da entressafra (período entre o fim de uma colheita e o início da próxima) foi mais rigoroso devido a questões climáticas. Isso fez com que o Brasil tivesse menos grãos disponíveis para atender a demanda global, priorizando a qualidade e o valor agregado.

'Tarifaço' americano e crise nos portos

Outro fator determinante para a queda no volume foi a relação comercial com os Estados Unidos. Após a imposição de tarifas de 50% sobre o café brasileiro, os embarques para os norte-americanos despencaram 55% em apenas quatro meses. Com isso, os EUA perderam o posto de maior comprador para a Alemanha.

Além das taxas alfandegárias, os exportadores enfrentaram problemas "da porteira para fora". A infraestrutura portuária brasileira não deu conta do ritmo das cargas, gerando prejuízos de mais de R$ 60 milhões devido a atrasos de navios e custos extras de armazenagem nos portos, como o de Santos (SP).

Qualidade garante preço alto

O que garantiu o recorde financeiro foi a excelência do café nacional. Os chamados "cafés diferenciados" — que possuem certificados de sustentabilidade ou qualidade superior — representaram 20,3% das exportações. O preço médio desses grãos chegou a US$ 432,78 por saca, atraindo mercados exigentes.

Atualmente, o Brasil exporta para 121 países e detém mais de um terço do mercado mundial de café. Mesmo com as dificuldades logísticas e políticas, o investimento do cafeicultor em tecnologia e inovação manteve o produto brasileiro como o mais competitivo do planeta.

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