
Mercado de carne bovina continua sustentando preços altos devido ao cenário econômico e climático
Tony Oliveira/Trilux
A combinação de exportações, câmbio e oferta adequada ao ritmo do consumo brasileiro foi o principal motivo da alta de preços da carne bovina nos sete primeiros meses do ano, apontou um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Usp). Esses fatores mantiveram o mercado de boi gordo (no campo) e o da carne (varejo) firmes durante todo o ano.
Conforme o relatório do Cepea, o câmbio favorável reforçou a competitividade da carne bovina brasileira no comércio internacional. A forte demanda internacional por carne bovina ajudou a compensar a fragilidade do consumo interno, que permaneceu limitado pelo menor poder de compra das famílias. Apesar desse quadro, o mercado de boi gordo alternou fases de pressão sobre a oferta com momentos de recuperação nos preços.
Os pesquisadores do Cepea apontam que o setor refletiu diferentes dinâmicas ao longo dos dois primeiros trimestres do ano. No primeiro trimestre de 2026, a cadeia produtiva ainda absorvia os efeitos do elevado abate de fêmeas registrado em anos anteriores. Esse fator reduziu a disponibilidade de animais para reposição, o que impulsionou a valorização dessa categoria.
Já no segundo trimestre, a entrada de lotes vindos das pastagens ampliou a oferta de animais em algumas regiões. No entanto, as escalas de abate dos frigoríficos permaneceram relativamente ajustadas, o que limitou movimentos mais intensos de queda nas cotações do boi gordo.
O equilíbrio entre a oferta controlada nas indústrias e o ritmo das vendas externas manteve o mercado regulado. Para os frigoríficos, a manutenção de escalas curtas funcionou como ferramenta de controle de custos de compra. Por outro lado, para os pecuaristas, o valor elevado dos animais de reposição seguiu pressionando os custos da atividade.
No varejo, o cenário de embarques volumosos para fora do país e matérias-primas valorizadas mantém os preços da carne bovina altos nas prateleiras dos supermercados. A tendência para o restante do ano depende da evolução das pastagens (que dependem do clima) e do ritmo de compras dos principais parceiros comerciais do Brasil.
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